Ecossistema digital integrado para reunir dados clínicos e epidemiológicos, apoiar gestores e profissionais de saúde e ampliar o acompanhamento de pacientes oncológicos nos territórios da Rede PEBA
Pacientes oncológicos que enfrentam dificuldades no acompanhamento do tratamento e longas viagens em busca de atendimento poderão contar, nos próximos anos, com uma ferramenta inovadora para fortalecer o cuidado em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS). O Projeto DANT – Desenvolvimento de Plataforma Produtiva para Softwares e Aplicativos para Gestão de Dados Clínicos, idealizado pelo pesquisador Manoel Messias, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e com apoio da Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional (Fadurpe), vai desenvolver um ecossistema digital integrado para reunir dados clínicos e epidemiológicos, apoiar gestores e profissionais de saúde e ampliar o acesso da população a um atendimento mais eficiente, humanizado e conectado.
Com execução prevista entre abril de 2026 e março de 2029, o projeto atuará inicialmente nos territórios do Sertão do São Francisco e Piemonte Norte do Itapicuru, beneficiando municípios da Rede Interestadual de Saúde Pernambuco-Bahia (Rede PEBA). A proposta busca enfrentar um dos principais gargalos da gestão pública em saúde: a fragmentação das informações clínicas e epidemiológicas relacionadas ao câncer. Atualmente, os dados permanecem dispersos entre diferentes sistemas e esferas do SUS, dificultando a continuidade do cuidado, o acompanhamento dos pacientes e a tomada de decisão por parte de gestores e profissionais de saúde.
O Projeto DANT prevê a criação de um ecossistema digital integrado composto por uma base unificada de dados clínicos e epidemiológicos, dashboards interativos para monitoramento de indicadores oncológicos, aplicativos de telemonitoramento e ferramentas de inteligência artificial voltadas ao suporte técnico e assistencial. O sistema permitirá visualização em tempo real de dados, análise situacional e acompanhamento contínuo dos usuários dos serviços oncológicos.
Além do desenvolvimento tecnológico, a iniciativa também contempla ações de capacitação de trabalhadores da saúde, formação em letramento digital e proteção de dados, além de atividades voltadas à acessibilidade, incluindo formação em libras no contexto do atendimento oncológico e incentivo ao desenvolvimento de aplicativos de tradução para a linguagem.
Outro diferencial do projeto será a implantação de serviços de teleatendimento oncológico, permitindo maior agilidade nos atendimentos e reduzindo deslocamentos de pacientes para centros de referência. A expectativa é otimizar recursos públicos, melhorar a qualidade de vida dos usuários e fortalecer a integração entre atenção básica, hospitais oncológicos e gestores municipais e estaduais.
Para a secretária-executiva da Fadurpe, Ellen Viegas, o projeto representa um importante avanço na integração entre inovação, pesquisa e impacto social. “Esse é um projeto que une tecnologia, ciência e compromisso social para enfrentar um tema extremamente sensível, que é o cuidado oncológico no SUS. A Fadurpe tem orgulho de apoiar iniciativas que fortalecem a gestão pública, ampliam o acesso à informação e contribuem diretamente para melhorar a vida das pessoas”, destacou.
Ainda segundo Ellen, a atuação da Fundação reforça o compromisso institucional com projetos estratégicos de desenvolvimento científico e tecnológico. “Mais do que apoiar administrativamente, participamos da construção de soluções que geram impacto real nos territórios. O Projeto DANT mostra como a inovação pode ser aplicada de forma prática para qualificar políticas públicas e fortalecer o sistema de saúde”, afirmou.
Coordenador do projeto e pesquisador da UNIVASF, o professor Manoel Messias Alves de Souza ressalta que a iniciativa nasce de uma necessidade concreta identificada nos territórios atendidos pela universidade.
“Hoje, um dos grandes desafios da gestão oncológica é justamente a fragmentação das informações entre diferentes sistemas do SUS. O Projeto DANT surge para integrar esses dados, qualificar a tomada de decisão e fortalecer o acompanhamento contínuo dos pacientes. Estamos falando de uma solução tecnológica construída para melhorar a assistência, otimizar a gestão pública e ampliar o acesso da população a um cuidado mais eficiente e humanizado”, explicou.
O professor também destacou a importância da parceria com a Fundação. “A expertise técnica da FADURPE e o engajamento de sua equipe nos dão segurança para concentrar esforços na pesquisa e no desenvolvimento das soluções propostas. Essa parceria já vem sendo construída desde 2024 e tem sido fundamental para viabilizar a continuidade e ampliação das ações do Projeto DANT”, afirmou.
A equipe participante da pesquisa é formada por Manoel Messias Alves de Souza, coordenador do projeto pela UNIVASF; Jorge Luis Cavalcanti Ramos, João Carlos Sedraz Silva, Ariana Silva Santos, Jhonathan de Oliveira Silva e Ana Cleide da Silva Dias, pesquisadores da UNIVASF; Luana Oliveira Mesquita, enfermeira do Hospital Regional de Juazeiro; Washington Alves da Silva, técnico de TI do Hospital Regional de Juazeiro; e Antonio Sabino da Silva Filho, técnico em Assuntos Educacionais da UNIVASF.
Projeto DANT – O projeto Desenvolvimento de Plataforma Produtiva para Softwares e Aplicativos para Gestão de Dados Clínicos é a segunda fase do Projeto de Pesquisa – DANT, que, em primeiro momento, teve como foco o “Inquérito Epidemiológico de Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis nos Territórios de atuação da UNiVASF”, também focado na região do Vale do São Francisco, iniciativa que também contou com apoio da Fadurpe.
Blog do Didi Galvão

