O jornalista e escritor pernambucano Homero Fonseca faleceu neste sábado (22), aos 77 anos, em decorrência de um câncer de pâncreas. O velório será realizado neste domingo (23), das 12h às 18h, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife.
Referência em sua geração pelo compromisso com a verdade e a informação responsável, Homero conciliou sua liderança de redação com uma sólida carreira de escritor de obras fundamentais sobre a cultura pernambucana. Por isso, deixa um legado inestimável tanto no jornalismo como na literatura.
Homero foi o primeiro editor-chefe da Folha de Pernambuco, foi diretor de redação da revista Continente Multicultural e também passou pelo Diario de Pernambuco, onde ocupou o cargo de editor-chefe, além de ter trabalhado como repórter das sucursais dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil.
O último livro dele foi lançado em julho deste ano, “Jornais em Guerra – A imprensa na Confederação do Equador” (1823-1825), que traz uma análise sobre a atuação dos periódicos durante um dos períodos mais marcantes da história política do Pernambuco.
Mais recentemente lançou a segunda edição do romance “Jaraguá: O Herói Inzoneiro”, que mistura ficção, folclore e crítica social por meio de uma narrativa fantástica no Nordeste, originalmente publicado no final do ano passado.
Nascido em Bezerros, o jornalista, autor de mais de 15 livros, incluindo romances, reportagens históricas, biografias e ficção infantojuvenil, deixa um vazio na cena cultural local. Na literatura, era dono de uma escrita invejável, que misturava realismo mágico e memória histórica.
De acordo com o blog de Taís Paranhos, mesmo afastado dos eventos literários por questões de saúde, a presença de Homero seguia pulsando. “Seu legado agora se transforma em referência permanente para quem busca compreender a força literária do Nordeste” escreveu a blogueira.
Ela lembra também a escrita dele, sempre carregada de símbolos, mitos e personagens que atravessam eras, consolidando uma identidade literária singular. “A morte do autor encerra um ciclo, mas abre espaço para que sua obra seja revisitada com a profundidade que merece. Pernambuco perde um de seus grandes narradores, mas ganha um nome eterno na literatura brasileira.”
Entre os destaques da carreira de Homero como escritor está “Roliúde: Um romance picaresco”, aventuroso e cinematográfico”, de 2011, que chegou ser adaptada para o teatro. Considerado um de seus maiores sucessos, narra as aventuras de Bibiu, uma espécie de “Ulisses nordestino” na década de 1940, que viaja pelo interior contando enredos de clássicos do cinema hollywoodiano e brasileiro.
Homero Fonseca deixa a esposa, Iracema Rodrigues, e os filhos Pedro, José Henrique, Ana e Maria Clara.
Blog do Didi Galvão

