A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês) publicou ontem um boletim apontando uma chance de 90% para a ocorrência de um El Niño de maior intensidade entre outubro e dezembro deste ano. A possibilidade é maior que a última previsão feita pela agência, em julho, quando o fenômeno tinha 81% de chances de acontecer.
Segundo a Noaa, o El Niño se fortaleceu no mês passado, com anomalias de temperatura da água do Oceano Pacífico excedendo 2,0°C. O fenômeno é caracterizado por uma elevação superior a 0,5°C.
A agência ainda informou que há 69% de chances do evento ficar entre os maiores registrados desde 1950. O próximo boletim será publicado no dia 10 de setembro.
Em meio às chances da ocorrência do El Niño, o professor de climatologia do mestrado em ensino de Ciências Ambientais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Lucivânio Jatobá analisa como o fenômeno pode impactar nas condições meteorológicas do estado. Segundo o especialista, o evento climático deve criar bloqueios na circulação de ar pelo país, provocando secas no Agreste e Sertão pernambucano.
“Esse ar que desce sobre o Nordeste e parte da Amazônia vai criar uma espécie de bolsão de ar seco, que vai impedir a circulação de ar do Sul para o Norte. Então deve chover muito na Região Sul e ficar mais seco no Nordeste, incluindo o Agreste e o Sertão de Pernambuco. Então espera-se uma redução considerável da precipitação”, explicou.
Apesar da possibilidade de alteração nas condições meteorológicas dessas mesorregiões, Jatobá pontua que a Zona da Mata e o Litoral pernambucano não devem ser afetadas diretamente pelo El Niño.
“O Litoral e a Zona da Mata pernambucana não sofrem esses efeitos diretos do El Niño, porque eles recebem a influência de fluxos de ar que vêm do Oceano Atlântico. Então a gente não deve ter secas nessas regiões em 2027. Podem ter alterações discretas, mas estarão mais relacionadas das temperaturas do Atlântico, e não do Pacífico”, disserta.
Blog do Didi Galvão

