Conversas encontradas por investigadores da Polícia Federal (PF) no celular do empresário Henrique Peretto apontam que Daniel Vorcaro tinha “total gerência” sobre a Tirreno, empresa responsável pelos papéis podres vendidos pelo extinto Banco Master ao BRB por R$ 12 bilhões.
Peretto foi preso preventivamente na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Mas foi solto três dias depois. Na investigação, ele aparece como responsável por aumentar o capital social da Tirreno, que saiu de R$ 100 para R$ 30 milhões.
No celular do empresário, os investigadores localizaram mensagens de Peretto a interlocutores tratando de assuntos da Tirreno. Entre eles, o advogado Ricardo Cameirão Júnior. O primeiro contato entre os dois ocorreu após o BRB enviar, no início de novembro de 2025, uma notificação extrajudicial à Tirreno pedindo informações sobre os títulos gerados pela empresa e vendidos pelo Master.
À época, o Banco Central (BC) já havia negado a compra do Master pelo BRB após identificar inconsistências contábeis e as transações entre as duas instituições públicas estavam sob o escrutínio das autoridades financeiras.
Peretto enviou, por WhatsApp, um arquivo com uma sugestão de resposta à notificação para Cameirão, que não respondeu. O empresário, então, cobrou. A resposta foi: “Tudo bem? Soltamos na quarta e até onde sei estava aguardando aprovação do DV”. DV é, segundo os investigadores, o banqueiro Daniel Vorcaro.
Minutos depois o advogado confirma: “Tá com o DV mesmo”. “Constata-se, aqui, que Vorcaro tinha total gerência sobre os assuntos relacionados à empresa Tirreno, haja vista que o envio da resposta ficou totalmente condicionado à aprovação dele” registraram os investigadores da PF ao analisarem a conversa.
O relatório da PF também aponta que três dias depois, em 10 de novembro de 2025, Peretto esteve no Banco Master para reunião com Vorcaro. No dia seguinte, a resposta ainda não havia sido aprovada. Peretto segue cobrando o advogado e outros os interlocutores até que no dia 17 de novembro o empresário liga diversas vezes para o banqueiro, mas não é atendido. Vorcaro foi preso pela primeira vez no dia seguinte, 18 de novembro.
O nome de Peretto foi um dos poucos citados por Vorcaro em seu primeiro depoimento à PF. Vorcaro atribuiu ao empresário o papel de avalista da negociação envolvendo carteiras podres emitidas pela Tirreno e vendidas ao BRB.
À época, o banqueiro contou que o banco passava por um processo de expansão e que os papéis foram “levados a ele” por “pessoas que tinham experiência de mercado”. Vorcaro disse que teria entrado no negócio por confiar em pessoas envolvidas na operação: “Na verdade, [o negócio] estava se pautando por uma outra empresa, que era a Caros, pela pessoa que tinha 25 anos de mercado”.
No mesmo depoimento, Vorcaro relatoou que negociou a compra dos papéis da Tirreno por R$ 6,7 bilhões e, quase imediatamente, os vendeu por R$ 12,2 bilhões ao BRB. Apesar de o BRB ter pagado o valor em dinheiro, o Master não repassou nada.
Fonte: Metrópoles
Blog do Didi Galvão

