A política pernambucana e nacional viveu, em agosto de 2014, um dos momentos mais marcantes de sua história recente. Naquele ano, o então candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, faleceu em um acidente aéreo ocorrido no dia 13 de agosto, em Santos, no litoral paulista. Quatro dias depois, em 17 de agosto, o ex-governador de Pernambuco foi sepultado no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, em uma cerimônia que reuniu milhares de pessoas e diversas lideranças políticas do país.
Poucos dias após a comoção provocada pela morte de Eduardo Campos, o cenário eleitoral brasileiro passava por uma rápida reorganização. A candidata a vice-presidente na chapa socialista, Marina Silva, assumiu a candidatura à Presidência da República pelo PSB, tornando-se uma das protagonistas da disputa eleitoral daquele ano.
Foi nesse contexto que, no dia 21 de agosto de 2014, a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estiveram no município de Cabrobó, no Sertão do São Francisco. A visita teve como objetivo acompanhar o andamento das obras do Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco, uma das principais intervenções de infraestrutura hídrica do país.
Na ocasião, Dilma e Lula foram recepcionados pelo então prefeito de Cabrobó, Auricélio Torres. Segundo relatos dos bastidores políticos da época, o ex-presidente Lula teria buscado convencer o gestor municipal a apoiar a candidatura à reeleição de Dilma Rousseff.
Entretanto, mesmo diante da articulação petista, Auricélio Torres optou por permanecer fiel ao seu partido, o PSB, e manteve apoio à candidatura de Marina Silva, que havia assumido a disputa presidencial após a morte de Eduardo Campos.
O episódio demonstra a complexidade daquele momento político, marcado pela comoção nacional provocada pela perda de uma das principais lideranças do PSB e pelas intensas movimentações eleitorais que ocorreram nas semanas seguintes.
Assim, Cabrobó acabou sendo palco de um capítulo importante da história política brasileira, recebendo Dilma Rousseff e Lula apenas oito dias após a morte de Eduardo Campos, em meio a um dos períodos mais intensos da campanha presidencial de 2014.
Blog do Didi Galvão

