TSE confirma que foi procurado por embaixada para tratar da visita de funcionários dos EUA

Tribunal Superior Eleitoral, no entanto, diz que tema da agenda não foi divulgado; Itamaraty negou vistos aos diplomatas norte-americanos

Por José Marques – O Tempo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou neste sábado (dia 25/7), em nota, que foi procurado pela embaixada dos Estados Unidos para tratar da visita de funcionários do governo norte-americano.

Na sexta-feira (24/7), o Itamaraty negou os pedidos de visto solicitados pelos diplomatas Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo reportagem do “Washington Post”, eles pretendiam viajar a Brasília em uma missão para lançar suspeitas sobre a transparência e a integridade do sistema eleitoral brasileiro, a poucas semanas das eleições presidenciais marcadas para 4 de outubro.

Segundo o TSE, embaixada fez a consulta à área internacional do tribunal e não informou da temática da agenda. Nenhuma reunião foi marcada devido ao recesso de julho do Judiciário.

Em junho, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, se reuniu com 25 embaixadores para explicar como funciona o sistema eletrônico de votação do Brasil. O órgão afirma que ele defendeu as urnas eletrônicas aos representantes estrangeiros.

No próximo dia 17 de agosto, um novo encontro com embaixadores será promovido dentro do próprio TSE, e a diplomacia dos EUA será convidada, além de todos os países com representação no Brasil. Na ocasião, novamente o presidente falará sobre o funcionamento da urna eletrônica, patrimônio do povo brasileiro”, diz a nota do TSE.

O tribunal lista que já aceitaram compor a missão de observadores eleitorais nas eleições de outubro a Organização dos Estados Americanos, a União Europeia, o Parlasul, o Carter Center, o Uniore e a Rojae-CPLP. “A União Africana e a Liga Árabe também receberam convites”, diz.

Segundo revelou o “The Washington Post” na sexta-feira (24/7), o presidente americano, Donald Trump, planejava mandar os auxiliares para lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro, segundo quatro funcionários americanos e brasileiros ouvidos pelo jornal.

Integrantes do corpo diplomático brasileiro afirmaram que a decisão de negar o visto foi tomada após detectarem uma possível ligação entre o ataque às urnas promovido pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o governo Donald Trump.

Os vistos foram solicitados no dia 20 de julho pelo secretário-assistente Riley M. Barnes e pelo subsecretário-assistente Samuel Samson. A divulgação de informação falsa sobre as urnas por Flávio ocorreu no dia 21, e a negativa do Itamaraty foi na sexta-feira (24/7).

A intenção dos funcionários do governo americano era chegar ao Brasil semanas antes do primeiro turno, que acontecerá no dia 4 de outubro. O governo Lula e o Itamaraty ligaram o alerta temendo a instrumentalização da viagem.

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