Transposição das águas sem revitalização da bacia é sentença de morte para o Velho Chico

Há mais de 20 anos o bispo Dom Luiz Flávio Cappio (bispo da Diocese de Barra, na Bahia) realizou uma greve de fome em Cabrobó (Pernambuco) entre 26 de setembro e 6 de outubro de 2005. O religioso não se posicionou contra as obras da transposição das águas do Rio São Francisco, apenas lutava pela sua sobrevivência e cobrava do Governo Federal compromisso com a revitalização da bacia do Velho Chico.

O bispo foi convencido pelo então ministro de Lula, Jaques Wagner, a encerrar a greve e ir a Brasília para ter uma conversa com o Presidente. Já se passaram mais de 20 anos e até agora não há confirmações de que investimentos estão sendo realizados para garantir sobrevivência ao Rio da Integração Nacional. Atualmente, temos notícias sobre a falta de cuidado com a bacia, especialmente no Estado onde se localiza a nascente do rio.

O vereador de Petrolina, Ronaldo Cancão, parece voz única na luta por esse tão importante rio para todos os nordestinos. Ele fez recentemente uma viagem saindo da Nascente do Rio, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até a cidade de Petrolina. O que Ronaldo viu com os próprios olhos e registrou com seu celular não é nada animador.

Governadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores dos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, ainda os que são diretamente interessados por meio da transposição, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, eleitos este ano, deveriam se juntar e cobrar dos dois candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Flavio Bolsonaro, posicionamento sobre o futuro do projeto e do próprio Rio.

Compromisso das autoridades com o Meio Ambiente

Petrolina fica no sertão de Pernambuco, Juazeiro no Norte da Bahia, são duas importantes cidades com aproximadamente 700 mil habitantes e que são separadas apenas pelas águas do Velho Chico. Vergonhosamente as duas são contribuintes para a contaminação do Rio São Francisco, quanto mais as cidades crescem mais crescem a quantidade de esgotos jogados no leito do Rio São Francisco.

Por onde o leito do Rio São Francisco vai passando, é possível ver o tamanho das agressões do ser humano à natureza. O que mais se vê são toneladas de esgotos sendo jogados dentro do Velho Chico, como se tudo ali fosse apenas um imenso depósito de lixo. Basta ver em Cabrobó, onde teve a greve do bispo, deram início às obras do saneamento básico com construção de lagoa de estabilização; passaram-se mais de 20 anos e tudo do mesmo jeito.

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