A Diretoria-Geral de Parcerias com a Sociedade Civil marcou presença no 1º Seminário Todos por Itaparica, realizado nos dias 11 e 12 de abril em Petrolândia (PE). O evento reuniu um público de pelo menos 920 pessoas, incluindo agricultores familiares, indígenas, quilombolas, comunidades de fé, associações, cooperativas e representantes sindicais, além de gestores públicos. Representando a Secretaria Geral da Presidência, o Coordenador-Geral de Parcerias com a Sociedade Civil, Ramon Jung Pereira, acompanhou os debates voltados à superação de crises históricas que atingem a região do Sistema Itaparica, no Sertão do São Francisco.
O histórico da região remete a 1986, quando a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (Barragem de Itaparica) inundou cerca de 83 mil hectares de terras férteis. O empreendimento exigiu o remanejamento de diversas famílias, o que alterou profundamente a dinâmica produtiva e social do território. Embora o modelo de reassentamento tenha previsto a criação de perímetros irrigados para compensar a perda das áreas agricultáveis, o processo foi marcado por lacunas diversas, como na infraestrutura hídrica e na assistência técnica, o que comprometeu a perenidade econômica dos novos núcleos habitacionais ao longo das últimas décadas.
A programação contou com mesas de diálogo sobre a desenvolvimento e sustentabilidade regional, a gestão dos perímetros irrigados e as responsabilidades institucionais quanto aos projetos públicos do sistema. As atividades buscaram discutir formas de desenvolvimento que respeitem a realidade da região e garantam os direitos das populações atingidas.
Nesse contexto, a Diretoria de Parcerias com a Sociedade Civil conduziu a oficina “Economias plurais e alternativas econômicas a partir dos territórios” que propôs uma leitura panorâmica sobre o papel das organizações da sociedade civil e da sociedade política na expansão do fazer econômico. Foram apresentados caminhos sobre oportunidades de fomento, editais e parcerias estratégicas, utilizando o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) como ferramenta para oferecer suporte jurídico e viabilidade às iniciativas que emergem do próprio território.
Refletindo sobre o modelo de desenvolvimento da região, Ramon Jung Pereira destacou que Itaparica é o retrato de uma economia que historicamente excluiu os trabalhadores e os povos tradicionais. “Itaparica, infelizmente, é o retrato de um modelo de economia e desenvolvimento que não incluiu os pobres, os trabalhadores, os povos indígenas e os agricultores em seu processo. É urgente pensarmos novos modelos integrais, que incluam essas pessoas e que sejam construídos por elas, em seus próprios territórios. Um caminho fundamental nesse momento é fortalecer as parcerias com associações e cooperativas que já realizam outras economias e experiências sustentáveis no território, e o MROSC também pode ajudar nisso”, afirmou o Coordenador-Geral.
A força da mobilização popular também foi celebrada pelo Padre Luciano Aguiar, principal articulador do evento e liderança local, que ressaltou a qualidade da participação e o resgate da confiança entre a sociedade e o Estado. “O evento mostrou uma qualidade muito grande na participação. Estiveram presentes pelo menos 920 pessoas, principalmente trabalhadores e trabalhadoras, mas também a sociedade civil organizada e a sociedade política. Além dessa força na participação, o seminário apontou sinais muito importantes de retomada do diálogo e da confiança entre agricultores e governo. A Igreja tem o papel de construir pontes e o seminário fez exatamente isso”.
O seminário encerrou sinalizando frentes de trabalho prioritárias para o fortalecimento da sociedade civil da região. Além da continuidade do acompanhamento institucional por parte da DPSC, o encontro apontou a necessidade de investir em processos de formação para a elaboração de projetos e na formalização técnica das entidades locais. Essas medidas são compreendidas como passos fundamentais não apenas para o estabelecimento de novas parcerias com o Estado, mas para a própria sustentabilidade e autonomia das atividades desenvolvidas pelas organizações em seus territórios.
Blog do Didi Galvão

