O segundo turno da eleição presidencial já começa a apresentar uma mudança no comportamento e na estratégia dos dois candidatos que disputam o Palácio do Planalto. Essa é a avaliação do comentarista Didi Galvão, que observa uma campanha mais voltada para a conquista de apoios, a ampliação do diálogo político e a disputa por pautas com forte apelo junto ao eleitorado.
De acordo com Didi, Lula e Flávio Bolsonaro passaram a adotar uma postura diferente daquela apresentada no primeiro turno, diante de uma disputa que agora se resume aos dois candidatos. Flávio, que terminou a primeira etapa à frente de Lula, intensificou a busca por alianças e já recebeu, por exemplo, o apoio de Ronaldo Caiado. O candidato também confirmou a intenção de participar dos debates do segundo turno.
Outro ponto destacado por Didi é a relação entre o próximo governo e o Supremo Tribunal Federal. Nos últimos dias, ocorreram reuniões entre o presidente do STF, Edson Fachin, e integrantes dos dois campos políticos. O coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho, esteve com Fachin, enquanto a líder do governo no Senado, Teresa Leitão, também se reuniu com o ministro para tratar de pautas em tramitação no Congresso.
Na avaliação de Didi Galvão, esses movimentos indicam uma tentativa de preservar canais de diálogo diante da possibilidade de mudança no comando do Executivo. A questão ganhou ainda mais relevância porque Flávio Bolsonaro vinha fazendo duras críticas a ministros do STF durante o primeiro turno, inclusive defendendo mudanças na composição da Corte caso seja eleito.
Enquanto isso, Lula aposta fortemente na discussão sobre o fim da escala 6×1 como uma das principais pautas do segundo turno. O presidente defendeu a PEC que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e afirmou que a medida atende a um desejo da sociedade. O Senado já iniciou a discussão e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, indicou a possibilidade de votação em primeiro turno em 15 de outubro.
A pauta, entretanto, também passou a ser alvo de disputa eleitoral. Flávio Bolsonaro classificou a discussão como oportunista e questionou o momento escolhido para sua votação. Assim, segundo a leitura de Didi Galvão, o segundo turno deverá ser marcado não apenas pela disputa entre dois projetos políticos, mas também pela tentativa de cada candidatura de conquistar setores do eleitorado a partir de temas concretos, alianças e novas formas de comunicação.
Blog do Didi Galvão

