PT vê campanha de Lula em risco com crise no STF e convoca reunião de emergência com aliados

As últimas pesquisas de intenção de voto, feitas após o caso, apontaram ainda para avanços de Flávio Bolsonaro

Jornal de Brasília

O acirramento dos ânimos no STF (Supremo Tribunal Federal) alimentou a preocupação da equipe do presidente Lula (PT) com eventuais prejuízos à campanha petista. As últimas pesquisas de intenção de voto, feitas após o caso, apontaram ainda para avanços de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial.

O cenário de empate técnico tem colocado aliados do presidente em estado de alerta e exigido uma correção de rumo a menos de um mês para o primeiro turno.

O presidente do PT, Edinho Silva, convocou reuniões de emergência com a Executiva Nacional, com partidos da base de apoio e com centrais sindicais na tentativa de esboçar uma reação da campanha.

O momento atual tem gerado inquietação entre aliados históricos, como movimentos sociais, sindicatos e partidos do chamado campo progressista. Eles se queixam de apatia e reivindicam maior participação na campanha, em patamar semelhante ao papel que desempenharam na campanha vitoriosa de 2022.

A avaliação de aliados de Lula de que a guerra no Supremo poderia prejudicar o petista levou o presidente a articular com ministros da corte e parlamentares movimentações que tentassem estancar os prejuízos políticos causados pela crise.

Também há reclamações sobre uma demora do presidente e de sua campanha para reagir a temas urgentes. Um exemplo citado é uma publicação nas redes sociais feita na quarta (9) em que Lula cobrou a divulgação de toda a investigação do caso Master. A manifestação orientou os aliados do petista, mas só veio depois de dias na defensiva.

Até dentro do PT e da equipe do presidente há queixas relacionadas a uma falta de vigor na campanha, sem identificar se essa é uma responsabilidade de sua coordenação ou do próprio candidato.

Aliados do presidente lembram que, no mesmo período de 2022, Lula já havia feito diferentes reuniões com representantes da sociedade e até mesmo reunido o conselho da campanha, o que até agora não aconteceu.

A esta altura da corrida eleitoral da época, Lula já havia se reunido com aliados políticos e com representantes de movimentos sindicais que o apoiavam para conter crises que eclodiam durante a sua corrida de volta à Presidência.

Um interlocutor atribui a falta de encontros com sua base nestas eleições ao fato de que Lula não era presidente na última disputa, o que na época lhe permitiu concentrar os esforços na campanha.

A escassez de material de campanha e o atraso na distribuição de recursos do fundo partidário também encabeçam as queixas dos aliados.

Sobre a atuação de Lula em si, queixam-se da sua resistência à leitura de discursos em atos públicos, o que expõe a plateia a horas em pé, muitas vezes sob sol forte.

A escalação da primeira-dama para falar em eventos é outro ponto criticado. Ao assumir o microfone, Janja ocupa o lugar de mulheres que poderiam estabelecer vínculo maior com os participantes.

O encontro que ocorrerá com as siglas deverá ser realizado nesta quinta-feira (10). Essa seria a primeira reunião com a base desde o começo da campanha.

Também na quinta ocorrerá a reunião da Executiva Nacional, cúpula responsável pelas principais deliberações sobre a campanha do presidente. Já o encontro com centrais sindicais deverá ocorrer na sexta-feira (11).

Correntes internas do partido defendem uma mudança de postura da campanha em diferentes áreas. A vertente Democracia Socialista afirma que o partido precisa mudar, por exemplo, a maneira como apresenta seu programa econômico para o próximo mandato de Lula.

“Demos passos para construir um novo modelo de desenvolvimento com soberania, superação das desigualdades e ecologicamente sustentável”, diz carta do movimento. “Esse novo modelo precisa se apresentar como programa para o Brasil e como alternativa ao consenso das elites econômicas que é aprofundar o neoliberalismo com cortes dos direitos sociais e privatizações.”

“É possível para a esquerda e para o PT formar maioria no eleitorado sem responder a essas questões? Mais concretamente, é razoável separar a luta democrática da luta para superar as desigualdades capitalistas aprofundadas dramaticamente pelo neoliberalismo?”, questiona o grupo.

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