Primeira general do Exército, Claudia Cacho relembra raízes e celebra avanço da força feminina

Natural do Recife, a general de brigada Claudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, retorna à cidade após entrar para a história como a primeira mulher promovida ao generalato nos 378 anos de existência do Exército Brasileiro. Convidada pelo Comando Militar do Nordeste (CMNE), a general participa na noite desta sexta-feira (15) da cerimônia de entrega das boinas a 75 novas soldados. O momento simboliza a entrada oficial na carreira militar.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, a general Claudia falou sobre a simbologia do convite do CMNE.

“Foi um convite que me honrou bastante. Voltar à minha cidade e participar desse momento histórico me emocionou muito. Ver essas jovens receberem a boina me faz voltar um pouco no tempo, há 30 anos, quando também ingressei com a mesma coragem e a mesma vontade de servir”, declarou a oficial.

FORÇA FEMININA

Assim como a formatura das novas soldados, a ascensão de Claudia Cacho ao generalato representa um marco institucional e o reflexo de uma transformação gradual, mas profunda, na estrutura das Forças Armadas brasileiras.

“Me senti muito honrada pelo reconhecimento da Força e muito grata por todas as pessoas que passaram pela minha vida e contribuíram para que eu chegasse até o generalato, porque não se chega até aqui sozinho”, resume a general.

Sua promoção ocorre justamente em um momento de ampliação histórica da participação feminina no Exército, com a chegada das primeiras mulheres ao serviço militar inicial em todo o Brasil. Para Claudia, sua conquista é apenas o começo de uma nova etapa para outras militares. “Eu fui a primeira porque chegamos ao momento necessário para que alcançássemos esse posto. Certamente outras mulheres virão”, afirmou.

Claudia Cacho é formada em Medicina pela Universidade de Pernambuco (UPE), com especialização em pediatria, pós-graduação em administração hospitalar e MBA em gestão estratégica em saúde. No Exército Brasileiro, construiu uma trajetória sólida de três décadas.

Ela ingressou na Força Terrestre em 1996 como oficial temporária. Foi a primeira colocada no Curso de Formação de Oficiais Médicos da Escola de Saúde do Exército e acumulou funções estratégicas ao longo da carreira. Dirigiu o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande. Hoje, também de forma inédita para uma mulher, comanda o Hospital Militar de Área de Brasília, unidade considerada estratégica.

LIDERANÇA

Para a oficial, a caminhada até o generalato foi resultado de uma construção silenciosa, feita ao longo de muitos anos de preparação contínua e sob avaliação permanente.

“São muitos critérios analisados ao longo da carreira. O desempenho nos cursos, missões cumpridas, funções exercidas, capacidade de liderança, coragem e compromisso institucional. Tudo isso vai construindo o perfil de quem pode chegar a esse posto”, explicou a comandante.

Ao falar sobre liderança, um perfil que acredita ter sido construído ao longo da jornada, a general destacou valores que considera inegociáveis: disciplina, serenidade, escuta e exemplo.

“Existe a liderança técnica, profissional, mas existe também a liderança pelo exemplo, que eu valorizo muito. O subordinado precisa confiar nas suas ações. Muitas vezes, liderar é mais agir do que falar”, destacou a médica, reconhecendo ainda que a experiência na área da saúde também trouxe um diferencial ao seu estilo de comando.

“Na medicina, especialmente, existe um lado muito humano. É preciso ouvir, acolher, buscar soluções. Tento levar isso para a forma como lidero”, complementou.

INSPIRAÇÃO

A general contou ainda que, desde o anúncio da promoção, tem ouvido que muitas mulheres se sentiram representadas com a sua ascensão. “Tenho ouvido muito que a minha ascensão ao generalato faz com que outras mulheres se sintam representadas. Se a minha história puder inspirar alguém, eu fico muito feliz”, compartilhou Cacho.

Ao falar sobre as 75 novas soldados que, nesta noite, vestirão a boina pela primeira vez, a oficial ressaltou o poder da missão e as oportunidades de servir ao Exército Brasileiro.

“Desejo que sejam muito felizes na carreira, que continuem se preparando física, psicológica e intelectualmente. Se se identificarem com essa missão, que sigam em frente. É uma carreira bonita, cheia de oportunidades e muito gratificante”, disse a general.

“Hoje temos mulheres ocupando cargos de chefia em todo o Exército, em áreas que antes eram exclusivamente masculinas. Estamos conquistando esse espaço porque temos competência, mérito e dedicação”, concluiu a comandante.

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