Aldeia enfrenta há mais de um ano falta de água, luz e alimentos, além de invasões, desmatamento e descarte irregular de resíduos hospitalares
POR ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO – CIMI REGIONAL NORDESTE
O povo Karaxuwanassu, que ocupa o território Marataro Kaeté, em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, questiona a presença de tratores derrubando vegetação em uma área de reflorestamento, localizada atrás de galpões da Prefeitura a poucos metros das habitações, e teme grilagem com a venda de lotes contíguos ao perímetro da terra tradicional, em processo de regularização pelo Estado.
Estas e outras questões, como o descarte de lixo hospitalar e resíduos químicos no local, compõem um relatório-dossiê enviado a órgãos federais, estaduais e municipais, onde a Associação Indígena em Contexto Urbano Karaxuwanassu (Assicuka) denuncia uma série de violações que configuram, segundo as lideranças do povo, uma “crise humanitária, sanitária, territorial, cultural e espiritual”.
O documento, assinado pela cacica Valquíria Kyalonän Karaxuwanassu e datado de 26 de junho de 2026, relata que a comunidade está há mais de um ano sem abastecimento regular de água potável, sem energia elétrica e sem internet, após os fios de comunicação terem sido arrancados. A situação é agravada por queimadas, desmatamento e pela invasão de gado de propriedades vizinhas, que destroem as plantações e comprometem a segurança alimentar das famílias.
“O que está acontecendo no Território Indígena Reserva Indígena Marataro Kaeté não é apenas um conflito fundiário. É uma agressão contra a vida, contra a Mãe Natureza, contra a memória ancestral”, afirma um trecho do relatório. O povo Karaxuwanassu, de origem multiétnica, reivindica a área como um território tradicional, fundamental para sua sobrevivência física e cultural.
O procedimento de regularização fundiária, conduzido pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), encontra-se atualmente em fase de estudos. Há divergência quanto à titularidade da propriedade da área de 120 hectares; se da Prefeitura, que afirma ter a posse, mas não havia apresentado documentação comprobatória, conforme a Funai, ou do governo do estado. Enquanto a regularização do território se arrasta, e novas formas de pressão contra o povo se desdobram, a Coordenadoria Regional da Funai passou por mudanças e, inclusive, proposta de realocação da Marataro Kaeté para outra localidade foi apresentada ao povo, que a rejeitou.
Matéria completa em: https://cimi.org.br/2026/07/povo-karaxuwanassu-marataro-kaete/
Blog do Didi Galvão

