Perguntas sobre filho e Marcola põem Lula na defensiva em sabatina

Apesar de reafirmar que não irá interferir em eventuais investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — acusado de tráfico de influência no governo —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou visivelmente irritado com a série de perguntas feitas na sabatina de ontem, no Jornal Nacional, na Rede Globo.

Mesmo afirmando que o noticiário sobre o caso tem trazido apenas “ilações, ilações e ilações tiradas de telefonemas” e que Lulinha “não tem o direito de errar”, deixou claro o desconforto com o tema e, também, com as denúncias relacionadas ao seu ex-chefe de Gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Para Lula, seu filho deverá responder na Justiça, como qualquer outro cidadão, caso fique comprovado que ele e a lobista Roberta Luchsinger aproveitaram-se de contatos no governo para fechar negócios. “Não sou do Ministério Público, não sou delegado, não sou juiz. Sou presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro que comete ilícito”, garantiu.

Questionado sobre mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular da lobista, nas quais ela teria afirmado que Fábio “entra em campo quando precisa” e que os dois “eram uma coisa só”, Lula, novamente irritado, reiterou que não pretende atuar para impedir qualquer investigação. “Não vou afastar delegado da Polícia Federal. Não vou fazer qualquer movimento para que meu filho seja acobertado se ele estiver errado, como outros já fizeram”, disse, alfinetando o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao responder sobre as mensagens atribuídas à lobista, Lula disse não conhecê-la, embora no Instagram dela haja fotos com os dois juntos. Ele fez referência à própria experiência na Operação Lava-Jato. Afirmou ter sido vítima de acusações que considerou falsas e disse que, assim como ocorreu com ele, somente o próprio Fábio poderia esclarecer o que aconteceu. “Com meu filho vai acontecer a mesma coisa. Só ele sabe a verdade. Se ele fez erro, pagará. Não existe outro jeito”, afirmou.

Sobre Marcola, questionado se seria adequado o chefe de gabinete receber recursos e joias, como apontado pelas investigações, o presidente afirmou que “é totalmente errado”. “Não é adequado, é totalmente errado e o Marcola sabe disso, porque não é esse o papel do chefe de gabinete”, explicou, acrescentando que o chefe de Gabinete poderia ter falado com ele se estava com problemas financeiros.

Fonte: Correio Braziliense

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