A expansão territorial da pecuária, a modernização produtiva, o maior acesso ao crédito e a recomposição dos rebanhos após períodos de seca contribuíram para o avanço da participação do Nordeste no plantel bovino brasileiro. A região passou de 14,05% do rebanho nacional, em 2005, para 15,7% em 2025.
Nesse período de 20 anos, o Nordeste respondeu por cerca de 32,3% de todo o crescimento líquido do rebanho brasileiro. Os dados constam do Beef Report 2026 — Perfil da Pecuária no Brasil, relatório anual da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
A Bahia permanece com o maior rebanho da região, somando 12,037 milhões de cabeças, e ocupa a sétima posição no ranking nacional. O Maranhão, com 8,254 milhões, aparece em segundo lugar no Nordeste e em décimo no país. Juntos, Bahia e Maranhão concentram aproximadamente 66% do rebanho nordestino. Os dois estados também responderam por 80,6% do crescimento líquido da região entre 2005 e 2025.
Os dados mostram que a expansão dos rebanhos se concentrou principalmente em áreas de transição para o Cerrado e fora do núcleo mais seco do Semiárido. O avanço da produção de grãos no Matopiba favoreceu a oferta de milho e de outros insumos destinados à alimentação animal, além de estimular investimentos em infraestrutura e a integração entre lavoura e pecuária. Essas áreas reúnem terrenos planos, condições favoráveis à produção e terras historicamente mais baratas. A expansão, entretanto, também impõe desafios ambientais.
Nos estados mais sujeitos à seca, especialmente Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e Bahia, parte do avanço está relacionada à recomposição dos plantéis.
E essa recomposição pôde ser percebida principalmente no Rio Grande do Norte, onde ocorreu o maior crescimento proporcional do plantel, com alta de 49,8%, seguido por Maranhão, com 46,1%, e Sergipe, com 36,3%.
Fonte: FolhaPE
Blog do Didi Galvão

