Por: José Eduardo Lima
A iminente migração do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil para o PSD de Gilberto Kassab, deixou de ser apenas uma troca partidária para se tornar o movimento mais explosivo do tabuleiro político recente. Ao buscar um porto seguro para viabilizar sua candidatura à Presidência da República, Caiado não apenas fortalece a sigla que mais cresce no país, mas provoca um efeito dominó que redesenha alianças históricas e fragmenta palanques nos estados.
O primeiro grande impacto é a criação de uma “terceira via de direita”. Ao se abrigar no PSD, Caiado se distancia do radicalismo ideológico do PL e se posiciona como um nome pragmático, capaz de atrair o agronegócio e o eleitorado moderado. Isso coloca governadores como Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Júnior (PR) em uma saia justa: de um lado, a lealdade a Jair Bolsonaro; do outro, a força da máquina partidária de Kassab, que agora passa a ter um presidenciável competitivo “dentro de casa”.
Nos palanques estaduais, o cenário é de incerteza e reposicionamento. Em Goiás, a movimentação pavimenta o caminho para o vice-governador Daniel Vilela (MDB) com uma supercoligação, mas isola o bolsonarismo local. Nacionalmente, o movimento “embaralha” as peças porque o PSD ocupa ministérios no governo Lula, criando uma convivência ambígua entre o Caiado oposicionista e a ala governista da legenda.
Essa fusão de forças transforma o PSD no fiel da balança: o partido deixa de ser apenas um coadjuvante de luxo para se tornar o epicentro de uma direita moderada que desafia a hegemonia do PL. O resultado é um sistema de palanques onde o pragmatismo da sobrevivência política começa a pesar mais do que a polarização nacional, forçando líderes regionais a escolherem entre o palanque do “barulho” ou o palanque da “máquina”.
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