No ano de 1982, o então Governo do Regime Militar iniciava a abertura política nacional no Brasil. O país experimentou as eleições gerais, exceto para os cargos de Presidente da República e Prefeito de capitais. Eleitores por todo o Brasil foram às urnas para elegerem seus governadores de estados, senadores da República, deputados federais e estaduais, prefeitos de municípios do interior e vereadores de todas as cidades.
Em meio às dúvidas quanto à legitimidade dos pleitos eleitorais em cada estado de todas as regiões do país, Pernambuco se destacou com a lindíssima campanha liderada pelo senador da República Marcos Freire. Camarada íntegro, de caráter irretocável e brilhante oratória. Marcos Freire ganhou respeito e admiração pelo Brasil e pelo mundo, nunca foi de baixar o nível e nem levar para o debate questões pessoais e muito menos se apegar ao artifício da vingança.
Na disputa pelo Governo de Pernambuco em 1982, Marcos Freire era o nome preferido dos pernambucanos. O regime sabia disso e aprontou com o chamado ‘voto vinculado’, obrigando eleitores a votar do vereador ao governador. Como não havia eleições para prefeito da capital, a vinculação dos votos favoreceu o candidato governista. Marcos Freire era ameaça clara ao sistema em Pernambuco; os ataques e ameaças aconteciam a todo o momento.
Marcos Freire rodava todo o Estado para dialogar com a população; seu ônibus foi atingido por disparos de arma de fogo. Mesmo sem que houvesse comprovação de que se tratava de atentado, Marcos Freire condenou o ato violento. A campanha teve continuidade com os governistas negando a autoria dos disparos; certa vez, um comício de Marcos Freire em Petrolina foi encerrado por conta de disparos com arma de fogo.
A campanha de 1982 foi ganhando novos contornos, medo e receio de que a violência tomasse conta. Entra em cena o Marcos Freire da ‘paz’, o homem começa a pregar uma campanha limpa, sem ‘ódio e sem medo’. Marcos Freire começava a falar: “Vamos ganhar juntos, vamos governar juntos. Não vamos aceitar provocações, não vamos revidar as agressões, daremos exemplos de que podemos vencer e governar sem ‘ódio e sem medo’.
Quando olhamos para o momento atual da política nacional, com essa polarização entre direita e esquerda, temos a compreensão de que o país precisa revisitar sua própria história. Nela vamos nos apegar aos exemplos de grandes homens, entre eles o pernambucano Marcos Freire e em especial sua campanha para governador em 1982. O Brasil de hoje precisa aprender com seu próprio passado, superar problemas do presente para garantir um futuro de paz para todos os brasileiros sem ‘ódio e sem medo’.
Blog do Didi Galvão

