Missa do Vaqueiro: patrimônio do Sertão não pode servir de palco para interesses políticos

Para os políticos da capital, conhecidos como caronistas de plantão, bom mesmo seria se ao menos conhecessem um pouco a história do Sertão. Assim como Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Raimundo Jacó, o Rei da Caatinga, nasceu em Exu, que fica no Sertão do Araripe de Pernambuco. Luiz e Raimundo, além de conterrâneos e famosos no Sertão, eram primos de primeiro grau.

Raimundo foi morto covardemente em julho de 1954. 17 anos depois da sua morte foi celebrada a primeira missa no Sítio Lajes, em Serrita. A ideia nasceu do desejo de fazer justiça. Luiz Gonzaga, Padre João Câncio e Pedro Bandeira uniram forças para atrair a atenção das autoridades. Em 1971 foi realizada a missa que dava início à festa em memória ao vaqueiro Raimundo Jacó.

Infelizmente, ao contrário de Luiz Gonzaga, Padre João Câncio e Pedro Bandeira, tudo o que temos hoje são pessoas desejosas de proveitos políticos. Pessoas, montadas em cavalos e com as mãos no nariz para evitar o cheiro do Sertão, agem como se vivessem em eternas pandemias, sempre higienizando as mãos com álcool apenas por terem tocado na mão de um sertanejo.

A Missa do Vaqueiro não pode ser usada para fins políticos; os destemidos guerreiros do Sertão merecem o nosso respeito. Os homens que cortam a caatinga à procura de uma novilha de vaca não querem a peninha de nenhum desses engravatados montados em cavalos. Respeitem a história de Luiz Gonzaga, Padre João Câncio e Pedro Bandeira; respeitem os vaqueiros do Sertão.

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