André Mendonça acatou pedido do vice-procurador-geral e tornou públicos os documentos sobre as investigações no STF que têm ligação com Vorcaro e o Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e quebrou os sigilos, nesta sexta-feira (10/9), de mais um conjunto de inquéritos ligados a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. O despacho torna públicos os documentos das ações que investigam os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e financiamento do filme “Dark Horse”.
Com o levantamento do sigilo, o Supremo liberará uma nova leva de documentos até então mantidos em segredo de justiça. Eles tratam de outros aspectos da investigação, como os aportes bilionários do Rioprevidência nos fundos e letras de Vorcaro e as suspeitas das relações entre Jaques e Augusto Lima e entre Ciro e o banqueiro.
Apesar de ter acatado o pedido da PGR, Mendonça ainda não liberou todos os sigilos. O principal entrave nesta altura é o conteúdo do celular de Vorcaro. Os ministros Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes pressionam o relator pela entrega do conteúdo. Mendonça não cedeu e argumenta que seu gabinete tem, apenas, uma cópia de segurança dos dados extraídos do celular, e que ela está guardada em envelope lacrado pela Polícia Federal (PF).
Imbróglio sobre sessão
O presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, marcou para terça-feira (15/9) uma sessão inédita dedicada à análise do relatório preliminar da Polícia Federal com trocas de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Elaborado a pedido do relator, ministro Mendonça, o documento indica que o banqueiro consultava o ministro a respeito da investigação da venda de uma carteira de créditos podres ao Banco de Brasília (BRB). Os ministros decidirão sobre a abertura de investigação contra Moraes.
Será a primeira vez que o pleno vai se reunir para discutir uma potencial investigação contra um dos seus. Em fevereiro, os ministros até se reuniram para analisar um relatório preliminar da PF com indícios de suspeição contra o então relator do mesmo caso, Dias Toffoli, mas o ministro renunciou à relatoria e Fachin arquivou o relatório sem levá-lo ao plenário.
Ainda não há garantia da realização da sessão. Nesta sexta-feira (11/9), o ministro Gilmar Mendes sugeriu o adiamento do encontro no plenário.
Blog do Didi Galvão

