Em pronunciamento de três minutos e 43 segundos, presidente brasileiro defendeu a soberania nacional e citou as “riquezas” do país, como os minerais críticos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, na noite deste domingo (6/9), em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, que o Brasil não é e nem será “colônia de ninguém”. A declaração ocorreu na véspera do 7 de Setembro, o Dia da Independência do Brasil.
“Precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos, e não seremos colônia de ninguém”, afirmou Lula.
“Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que o seu povo precisa para conquistar a própria independência”, completou o petista.
Ele também fez uma defesa do livre-comércio e disse que nenhum país pode tutelar o Brasil sobre quem pode fazer negócios com o país, em um recado aos Estados Unidos, que impuseram ao Brasil duas tarifas: uma de 25%, e outra de 12,5%.
No pronunciamento, que durou três minutos e 43 segundos, Lula citou as “riquezas” do país, como os minerais críticos (chamadas terras raras) e o petróleo na Margem Equatorial.
“Defender a Independência do Brasil é defender nossa soberania e nossa democracia. Mais do que nunca, é preciso lutar pelo que é nosso”, afirmou.
“Temos a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e a maior fonte de água doce. No último mês, descobrimos uma nova e rica reserva de petróleo”, prosseguiu.
“Nossas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro”, concluiu, sem citar qualquer outra nação. Os Estados Unidos vêm fazendo investidas sobre as riquezas mineiras de outros países.
EUA já manifestaram interesse em terras raras do Brasil
O governo de Trump já expôs a vontade de explorar terras raras em solo brasileiro. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Perde só para a China.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de diversos produtos modernos, como smartphones e televisores. Usados em pequenas quantidades, são insubstituíveis.
Em encontro com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade privada que representa as empresas do setor, o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, manifestou o interesse do seu país em minerais críticos e estratégicos brasileiros.
O presidente do instituto, Raul Jungmann, relatou ter respondido que negociações nesse sentido deveriam ser conduzidas pelo governo brasileiro, e não por empresários.
Governo Trump fecha acordo para ficar com petróleo venezuelano
Na última sexta-feira (28/8), os EUA anunciaram um acordo com a Venezuela que pode garantir aos norte-americanos acesso a cerca de 20% das reservas comprovadas de petróleo do país sul-americano.
Donald Trump festejou o acordo e ressaltou que ele permitirá aos EUA ampliar a influência sobre parte relevante da produção petrolífera venezuelana e reforçar suas reservas estratégicas de petróleo.
Oito meses atrás, forças norte-americanas capturaram Nicolás Maduro, sob a alegação que libertariam a Venezuela de uma ditadura. Desde então, estreitaram relações com o governo interino liderado por Delcy Rodríguez, integrante do regime de Maduro.
E, enquanto acelerou um acordo para ficar com petróleo venezuelano, Trump disse que o país caribenho não está pronto para uma eleição que permitiria ao povo escolher seu governante.
Desde o início do atual mandato, Trump também fez diversas ameaças e sugestões de anexar a Groenlândia, pertencente à Dinamarca. O território gelado é rico em minerais, como a criolita, um usado na indústria do alumínio.
Pronunciamento autorizado pelo ministro Nunes Marques
A convocação de cadeia de rádio e TV em período eleitoral para Lula foi autorizada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques.
A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República pediu autorização para a veiculação porque a publicidade institucional por agentes públicos é proibida nos três meses que antecedem as eleições. Há exceções, porém, casos de “grave e urgente necessidade pública”.
Na decisão proferida na sexta-feira (4/9), Nunes Marques considerou que o pronunciamento é de interesse público, já que a data “possui significado histórico e institucional autônomo em relação às funções de governo e, especialmente, às atribuições institucionais de Chefia de Estado”.
Blog do Didi Galvão

