A saúde mental e a prevenção ao suicídio estão entre as pautas defendidas por Lara Cavalcanti, que propõe a criação de um Pacote Estadual de Saúde Mental para Pernambuco, com medidas voltadas à prevenção, ao acompanhamento de pessoas que tentaram tirar a própria vida, à saúde mental dos cuidadores e à ampliação da assistência no interior do Estado. A proposta ganha ainda mais relevância neste Setembro Amarelo diante dos números registrados em Pernambuco, que apontam para a necessidade de políticas permanentes de cuidado e acompanhamento.
Em 2023 e 2024, Pernambuco registrou 1.263 mortes por suicídio, com taxa de 6,62 óbitos por 100 mil habitantes. Em um recorte informado para o período, foram registradas 645 mortes, sendo 505 homens (78,3%) e 140 mulheres (21,7%). Já em 2025, foram contabilizadas 5.086 tentativas de suicídio no estado. Entre janeiro e junho de 2026, o CIEVS/PE já registrava 2.550 casos.
Para Lara, os números mostram que a política pública precisa ir além do atendimento emergencial.
“Não estamos falando apenas de morte. Estamos falando de milhares de pessoas que chegaram ao ponto de tentar tirar a própria vida e que precisam ser acompanhadas depois que saem da emergência.”
O pacote proposto por Lara reúne cinco eixos. O primeiro, “Depois da Tentativa”, estabelece diretrizes para um acompanhamento estruturado das pessoas após uma tentativa de suicídio, garantindo continuidade do cuidado para além do atendimento de emergência.
O segundo eixo, “Quem Cuida Também Precisa de Cuidado”, é voltado à saúde mental de cuidadores de pessoas com deficiência, doenças raras e condições complexas, considerando a sobrecarga enfrentada por essas famílias.
Já o terceiro, “Saúde Mental no Sertão”, busca ampliar a assistência no interior, com medidas como a interiorização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), telepsiquiatria e equipes itinerantes.
O quarto eixo, “Pernambuco que Cuida”, prevê a criação de um Observatório Estadual da Saúde Mental e do Suicídio, reunindo dados para subsidiar políticas públicas e ações de prevenção.
O quinto, “Depois da Perda”, propõe um Programa Estadual de Pósvenção ao Suicídio para familiares e comunidades que enfrentam a perda de uma pessoa por suicídio.
A proposta também prevê uma atuação articulada às políticas já existentes, sem criar estruturas inviáveis para o Estado.
“Não precisa criar uma obrigação impossível para o Estado. A lei pode estabelecer diretrizes estaduais de prevenção ao adoecimento mental e valorização desses profissionais, articuladas às políticas existentes.”
Para Lara, o Setembro Amarelo deve ser mais do que um período de conscientização e servir como um momento de reforçar o compromisso permanente com a prevenção.
“Prevenir não é apenas falar para alguém pedir ajuda. É garantir que, quando essa pessoa pedir ajuda, exista alguém, em algum lugar, preparado para atendê-la.”
Ascom – Lara Cavalcanti
Blog do Didi Galvão

