O senador Jaques Wagner (PT-BA) e ex-líder do governo Lula (PT) no Senado se recusou a fornecer à PF (Polícia Federal) as senhas de dois celulares apreendidos durante uma operação realizada em sua casa, em Salvador, em 18 de junho, segundo relatório da corporação.
O documento foi tornado público nesta sexta-feira (11), após o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), ampliar a retirada de sigilo de processos relacionados ao caso Master. A medida atendeu a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Segundo o relatório da diligência, os agentes recolheram logo no início da busca um celular Samsung preto e outro aparelho branco. “O investigado negou o fornecimento de senhas dos aparelhos”, registrou a PF.
A busca foi cumprida no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
No caso de Wagner, a PF investiga a relação do senador com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, e apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas de empresários e estruturas ligadas ao banco. Entre os episódios investigados estão viagens em aeronaves particulares, ingressos para shows e a negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador.
Durante a diligência, a PF também apreendeu R$ 16,5 mil, US$ 16.795 e € 39.675 em espécie, além de diversos relógios de luxo. Parte do dinheiro foi encontrada em uma mala atribuída ao senador e outra parte em um cofre no closet de sua mulher.
Segundo a PF, Wagner afirmou que os valores eram usados em viagens. Sobre os relógios, disse que os adquiriu ao longo dos anos. O relatório registra que ele não apresentou notas fiscais dos bens durante a busca.
“Chamou ainda a atenção a grande quantidade de relógios de alto valor na residência do investigado. Questionado sobre as suas aquisições, informou que adquiriu ao longo dos anos, contudo, não apresentou nota fiscal de qualquer bem. Assim, foram arrecadados e posteriormente apreendidos os bens referidos no presente Relatório, cujo valor econômico somente poderá ser aferido com precisão após a realização das perícias cabíveis”, escreveu a PF.
A CNN procurou a defesa de Jaques Wagner para comentar as informações, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Blog do Didi Galvão

