Lula assume a Presidência do Brasil pela primeira vez em 2003. Para tratar de questões políticas, ele chama o amigo Jaques Wagner para ser seu Ministro de Relações Institucionais. Logo no primeiro mandato, Lula estava disposto a levar adiante o projeto da transposição do Rio São Francisco, mas se deparou com a greve do bispo da igreja católica, Dom Luiz Cappio. Lula escala Wagner para resolver esse problema. Jaques chega a Cabrobó em outubro de 2005 e meia hora de conversa com o bispo o convence a encerrar a greve.
Com a missão dada pelo chefe e a missão cumprida pelo amigo, Jaques ganha posição de destaque na política e confiança de Lula. No ano de reeleição de Lula, o presidente precisava de alguém de sua confiança para enfrentar o todo-poderoso Antônio Carlos Magalhães na Bahia. O amigo Jaques Wagner foi acionado mais uma vez e, como bom amigo, aceitou o desafio. Paulo Souto tentava a reeleição e foi derrotado por Wagner já no primeiro turno; o amigo de Lula vence o amigo de ACM com quase 53% dos votos.
Jaques Wagner saiu do Governo da Bahia em dezembro de 2014 e assumiu o cargo de Ministro-chefe da Casa Civil do segundo governo de Dilma. Nesse tempo, as investigações da Operação Lava Jato avançavam em direção ao então ex-presidente Lula; entra em cena mais uma vez a lealdade do amigo Jaques Wagner. Ele coloca o cargo à disposição da presidente Dilma Rousseff, para que ela possa evitar uma possível prisão de Lula, nomeando-o como ministro em substituição ao próprio Jaques Wagner.
Agora, com os novos desdobramentos das investigações do escândalo do Banco Master, a amizade de Lula com Wagner vai ser colocada à prova para uma possível sobrevivência. Semana passada a Polícia Federal fez operação em imóveis do senador Jaques Wagner. Ele, além de amigo há quase 50 anos do presidente, é atualmente seu líder no Senado Federal. Wagner já deu sinais de que não pretende abrir mão da posição de líder; chegou a dizer que não acredita que o amigo vai abandoná-lo porque já esteve em situação pior.
O recado do senador Jaques Wagner foi claro para o amigo Lula, que o apoiou quando ele mais precisou. É como se Wagner estivesse lembrando o episódio da Lava Jato, quando era ministro e colocou o cargo nas mãos de Lula para protegê-lo. Agora é Jaques que precisa da proteção de Lula; ele espera apenas reciprocidade do amigo. Quem conhece bem Jaques Wagner sabe que ele é leal aos amigos; por essa razão, pessoas próximas do senador baiano acreditam que o presidente Lula não vai abandoná-lo.
Blog do Didi Galvão

