Gestão do PSB no Recife sob mira da PF: Operação revela suspeita de fraude de R$ 25 milhões em repasses públicos

A Polícia Federal, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (02/06) a Operação Check-in, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em corrupção e fraudes licitatórias na Prefeitura do Recife.

A investigação ganhou força a partir de desdobramentos da Operação Firenze, na qual a apreensão de canhotos de cheques revelou indícios de pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos municipais por parte de empresas contratadas. O foco central das apurações são contratos de terceirização de mão de obra firmados durante o exercício de 2020.

Os valores envolvidos no esquema impressionam pela magnitude dos repasses efetuados pela gestão municipal. Somente no ano de 2020 (último ano do comando de Geraldo Júlio, e candidatura de João Campos), a empresa investigada recebeu cerca de R$ 25,8 milhões dos cofres da capital pernambucana. Desse montante, aproximadamente R$ 17 milhões foram oriundos de recursos federais, o que justifica a atuação direta da PF e da CGU no caso. Investigadores apontam que a relação contratual da empresa com a prefeitura é anterior a 2020, o que levanta a suspeita de que o prejuízo total ao erário possa ser ainda mais robusto do que o inicialmente detectado.

Ao todo, 32 policiais federais e dois auditores da CGU cumpriram oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Recife, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho. A operação busca consolidar provas de um esquema que envolveria não apenas o desvio de verbas, mas também mecanismos complexos de lavagem de dinheiro e organização criminosa. As evidências coletadas até o momento indicam que a contratação de mão de obra terceirizada serviu como fachada para o escoamento ilícito de capital público para agentes da administração.

Os investigados podem responder por uma série de crimes graves contra a administração pública, incluindo corrupção ativa e passiva, fraude em licitação e lavagem de capitais. O caso coloca sob lupa os mecanismos de controle interno da gestão municipal à época, uma vez que a organização criminosa agia de forma especializada para corromper servidores e fraudar processos competitivos de contratação. A operação segue em curso para identificar outros possíveis beneficiários do esquema milionário.

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