Flávio x Lula: atos de rua viram votos na reta final?

Por: Roberto Fonseca / CB

A nove dias de escolhermos o novo presidente da República, teremos pela frente um fim de semana em que o clima de eleição estará presente nas ruas e nas redes sociais. Atos tanto em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto da vitória do senador Flávio Bolsonaro estão previstos para as principais capitais. Além disso, pela primeira vez, salvo alguma desistência de última hora, os dois devem se enfrentar em um debate presidencial, na noite de domingo.

No fim de semana passado, prolongado pelo feriado de Nossa Senhora Aparecida, manifestantes pró-Lula ocuparam as ruas do Rio, São Paulo e Brasília. A quantidade de gente impressionou. Agora, o PL pretende dar o troco com o deputado federal Nikolas Ferreira, fenômeno de votos no primeiro turno, à frente do “Bloquinho do 22”, com manifestações previstas no Sudeste, Nordeste e Norte, no domingo. Já o “Blocão 22” vai ocorrer na Avenida Paulista, com a presença de Flávio, horas antes do debate presidencial.

Na capital federal, tenho certeza que os militantes também vão ocupar as ruas, a exemplo do que ocorreu no domingo anterior ao primeiro turno. Há manifestação convocada para o Museu da República. O Eixão do Lazer estará lotado de bandeirolas e eleitores com camisas do candidato preferido. Diretórios regionais de partidos de esquerda e de direita prometem fazer mobilizações pontuais em feiras de grande circulação, como a do Guará, de Ceilândia e da Torre de TV.

Está claro que candidatos e partidos apostam nas grandes manifestações de rua para demonstrar força e conquistar votos na reta final da campanha. A lógica parece simples: quanto maior a multidão, maior a chance de vitória. Mas, afinal, atos de ruas viram votos? Conseguem conquistar o indeciso?

A ciência política faz uma distinção importante entre persuasão e mobilização. A primeira ocorre quando alguém muda de preferência e passa a apoiar outro candidato. A segunda consiste em estimular eleitores já identificados com determinada candidatura a participar da votação. É nessa segunda frente que os atos públicos tendem a produzir resultados mais relevantes.

Em uma disputa marcada pela polarização, dificilmente um eleitor convencido por um candidato muda de opinião ao ver uma multidão favorável ao adversário. A reação mais provável é reforçar as convicções que ele já tem. As manifestações costumam reunir pessoas com maior interesse pela política, posições ideológicas definidas e vínculos mais fortes com as candidaturas. O eleitor indeciso, que ainda avalia alternativas e nem sempre acompanha o noticiário diariamente, raramente está entre os protagonistas dessas concentrações.

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