Estudantes da EREM Aura Sampaio Parente Muniz, em Salgueiro (PE), estão entre as 30 equipes semifinalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil. O programa de Cidadania Corporativa da Samsung tem coordenação geral do Cenpec e incentiva estudantes e professores da rede pública a desenvolverem soluções para desafios reais da sociedade por meio da abordagem STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
O grupo de quatro estudantes do 2º ano do ensino médio desenvolve o projeto ‘Bioinovação e IA no Controle Sustentável do Aedes aegypti’, que propõe um sistema integrado para monitorar a presença do mosquito transmissor da dengue e de outras arboviroses. A iniciativa combina armadilhas inteligentes, georreferenciamento, inteligência artificial e pesquisas com plantas nativas da Caatinga para investigar alternativas sustentáveis de controle do vetor.
A ideia surgiu a partir da observação de um problema de saúde pública na própria região. Ao identificar, por meio de reportagens, que Salgueiro estava entre os municípios pernambucanos com maior número de casos de dengue, os estudantes passaram a investigar possibilidades de contribuir para o enfrentamento da doença. O grupo passou então a pesquisar soluções que pudessem ser desenvolvidas a partir da metodologia científica e de conhecimentos relacionados à realidade local.
A primeira frente de pesquisa envolveu o estudo de plantas da Caatinga para o desenvolvimento e a realização de testes com extratos vegetais com potencial larvicida. Com o avanço do projeto e o apoio das mentorias do Solve for Tomorrow, a proposta foi ampliada para incorporar tecnologia às armadilhas utilizadas pelos estudantes. O sistema passou a envolver Arduino, aplicativos e recursos de inteligência artificial, além do georreferenciamento dos pontos de monitoramento.
A partir dos dados coletados, os estudantes trabalham na identificação de áreas com maior presença do vetor. O objetivo é produzir informações que possam contribuir para a definição de pontos prioritários de atenção e para o planejamento de ações de prevenção e controle de arboviroses.
A participação no Solve for Tomorrow também contribuiu para que os estudantes revisassem estratégias e ampliassem as possibilidades de aplicação da solução. Segundo a professora orientadora, Uanne Freire Bezerra Araújo, as mentorias têm ajudado a equipe a observar o projeto sob novas perspectivas, tanto do ponto de vista científico quanto tecnológico. “Estamos melhorando o que havíamos testado inicialmente, com orientações que contribuem para o desenvolvimento da solução”.
Além dos conhecimentos técnicos, o projeto tem contribuído para o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo dos estudantes. Além disso, a comunidade escolar também ter participado ativamente no desenvolvimento do projeto. Estudantes de outras turmas colaboram com a instalação e o acompanhamento das armadilhas nos bairros, enquanto a equipe inscrita busca apoio de especialistas e instituições para fortalecer as diferentes frentes de pesquisa.
Segundo Helvio Kanamaru, Diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, o projeto mostra como a ciência e a tecnologia podem ser combinadas a conhecimentos sobre o território para enfrentar desafios de saúde pública. “Ao unir inteligência artificial, monitoramento e o estudo de recursos da Caatinga, os estudantes desenvolvem uma solução conectada à realidade da comunidade e, ao mesmo tempo, ampliam seus conhecimentos em diferentes áreas. Esse protagonismo, baseado na investigação científica e na busca por soluções para problemas concretos, é justamente o tipo de experiência que o Solve for Tomorrow busca estimular”, afirma.
“Projetos como esse mostram a potência da escola pública quando os estudantes são convidados a olhar para seu território, investigar seus desafios e construir respostas para problemas que impactam suas comunidades. Ao articular conhecimentos científicos, tecnologia e saberes sobre a Caatinga, os jovens ampliam suas possibilidades de aprendizagem e exercitam o protagonismo, a criatividade e o compromisso com o bem comum. É esse potencial transformador da educação que valorizamos no Cenpec”, afirma Beatriz Cortese, diretora-executiva do Cenpec.
Para Uanne, a participação no Solve for Tomorrow tem sido importante tanto para o desenvolvimento da solução quanto para o envolvimento dos estudantes e da comunidade. “O programa tem sido fantástico para mobilizar os estudantes. Eles estão muito envolvidos, e chegar à semifinal aumentou ainda mais a motivação para melhorar o projeto. A mentoria foi um ponto fundamental para avançarmos, porque trouxe novas orientações e ajudou a equipe a enxergar novas possibilidades”, conclui a educadora.
Blog do Didi Galvão

