Auto de prisão em flagrante afirma que Letícia Moraes de Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, foi alvo de um “ataque reiterado”
O Tempo
A estudante de medicina Letícia Moraes de Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, assassinada em Barbacena, no Campo das Vertentes, no último sábado (27/6), foi atingida por mais de 100 facadas, segundo o auto de prisão em flagrante. Para o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), não houve uma agressão isolada, mas um “ataque reiterado”, marcado por extrema violência e praticado no contexto de violência doméstica e familiar. Apontado como principal suspeito, o namorado da vítima segue preso.
O documento destaca que o suspeito tentou fugir logo após o crime. Segundo a decisão judicial, ele deixou o local dirigindo o veículo de Letícia e seguiu em direção ao município de Bom Jardim de Minas, onde acabou localizado pela Polícia Militar durante uma operação de cerco e bloqueio.
Ele estava com o celular, iPad, cartões bancários, documentos pessoais e a chave do veículo da vítima. Em depoimento, admitiu apenas que passou a noite com a estudante, mas negou participação no assassinato e optou por permanecer em silêncio sobre os demais fatos.
Para o juiz Alanir José Hauck Rabeca, o risco de fuga “não se baseia em mera presunção, mas em elementos concretos constantes dos autos”. A decisão afirma que a prisão só foi possível graças à rápida atuação das forças de segurança, após intensa perseguição ao investigado.
Elevada periculosidade
O documento sustenta que a multiplicidade de facadas revela “elevada periculosidade” do investigado e “absoluto desprezo pela integridade física e pela vida da mulher com quem mantinha vínculo afetivo”. O MPMG destaca que Letícia era mãe de dois filhos e estudante de medicina.
Segundo o auto, a materialidade do crime é reforçada pelos boletins de ocorrência, imagens de videomonitoramento, apreensão do veículo e de objetos da vítima, além da constatação de que Letícia sofreu “mais de uma centena de golpes”, que provocaram múltiplas lesões e grande perda de sangue, evidenciando “extrema violência e dolo intenso”.
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que o suspeito apresentava um ferimento corto-contuso na palma da mão direita quando foi submetido ao exame de corpo de delito. Conforme o parecer, há indícios de que a lesão possa ter sido causada durante a sequência de facadas desferidas contra a vítima.
Amigos e familiares ouvidos pela Polícia Civil afirmaram que o relacionamento era conturbado. Conforme os depoimentos, Letícia já havia relatado que o companheiro era possessivo e fazia ameaças constantes.
Ao converter a prisão em flagrante em preventiva, o magistrado ressalta que a gravidade do caso e a crescente incidência de crimes contra mulheres justificam a manutenção da prisão preventiva.
Blog do Didi Galvão

