Quase 60 mil pessoas atravessaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta, na Espanha, nos últimos dias, afirmou nesta sexta-feira (31) o presidente da cidade autônoma espanhola, Juan Vivas. Segundo ele, o total equivale a cerca de 70% da população do enclave espanhol no norte da África.
“As estimativas apontam que 60 mil pessoas entraram em nossa cidade neste episódio. Isso significa 70% da população de Ceuta”; diz Juan Vivas.
O presidente de Ceuta também anunciou que 34 pessoas morreram tentando entrar no território espanhol durante a crise migratória.
“Quero expressar, da forma mais sincera, em nome de todos nós, nossa mais profunda tristeza e pesar” pelas “34 mortes causadas por essa avalanche”, declarou Vivas.
As chegadas começaram na quinta-feira (30), não pararam durante a noite e continuaram nesta sexta. “Durante toda a noite houve um fluxo” e, embora tenha sido menor do que durante o dia, “milhares” de imigrantes “continuaram chegando e seguem chegando”, disse uma fonte policial à AFP.
Jornalistas da AFP observaram na quinta-feira (30) um fluxo constante de pessoas entrando na cidade autônoma. Os imigrantes deixam para trás boias e roupas espalhadas pela areia, perto do lugar onde a cerca fronteiriça alcança o mar.
No Marrocos, milhares de jovens se reuniram durante a noite no centro da cidade de Fnideq (Castillejos), próxima da fronteira com o enclave espanhol. Alguns afirmaram ter ouvido que “a fronteira estava aberta”.
Ainda não está claro o que provocou a súbita onda de imigrantes procedentes do Marrocos, principalmente homens jovens e adolescentes.
O contexto recorda maio de 2021, quando mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira em apenas dois dias, aproveitando uma flexibilização dos controles por parte de Rabat durante uma disputa diplomática com a Espanha.
O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez deve visitar Ceuta, onde se reunirá com as forças de segurança na fronteira e depois com as autoridades regionais, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
Blog do Didi Galvão

