Casa de Saúde, que tem marido de Priscila Krause entre os sócios, garante que procedimentos foram realizados e vai recorrer à Justiça contra auditoria do Ministério da Saúde

A Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Garanhuns, contesta as acusações que vêm sendo feitas contra a instituição e reafirma seu compromisso com a assistência à população, com a transparência e com o Sistema Único de Saúde. A unidade atua há 55 anos na rede complementar de saúde, atendendo pacientes de Garanhuns e de municípios do Agreste Meridional.

Neste sentido, a unidade discorda de parte das conclusões apresentadas no relatório e afirma que os procedimentos questionados foram efetivamente realizados, conforme demonstram os registros e a documentação médica disponíveis. Diante disso, a direção do hospital decidiu adotar as medidas judiciais e administrativas cabíveis para contestar os pontos levantados no relatório e apresentar a documentação que comprova a realização dos procedimentos questionados.

No caso da hemodiálise, a auditoria apontou ausência de comprovação documental em 90 sessões, diante de aproximadamente 135 mil sessões realizadas pela instituição no período analisado. A Casa de Saúde esclarece que a ausência pontual de uma assinatura ou de determinado registro em um documento específico não significa necessariamente que o atendimento não tenha sido realizado.

A instituição afirma que esses apontamentos devem ser analisados em conjunto com os demais registros assistenciais disponíveis. Segundo a Casa de Saúde, parte dos pacientes cujas sessões foram apontadas como pendentes de comprovação documental permanece em tratamento de hemodiálise na unidade, informação que pode ser verificada nos próprios registros assistenciais.

Em relação aos procedimentos cirúrgicos oncológicos, a Casa de Saúde informa que encaminhou à auditoria a documentação médica correspondente aos procedimentos questionados. Segundo a instituição, as divergências identificadas são, em sua maior parte, de natureza formal e estão relacionadas ao preenchimento de campos específicos de determinados documentos, e não à ausência de registros capazes de demonstrar a realização dos procedimentos.

A instituição também aponta que, em determinados casos, a análise teria considerado o documento no qual foi identificada a inconsistência formal sem considerar, de forma conjunta, outros registros integrantes do mesmo prontuário. Entre esses documentos estão relatórios cirúrgicos, laudos anatomopatológicos e boletins de anestesia, que, segundo a
Casa de Saúde, constituem elementos adicionais de comprovação da realização dos procedimentos.

Outro ponto de divergência está relacionado à codificação administrativa atribuída a cirurgias oncológicas efetivamente realizadas. A Casa de Saúde entende que os procedimentos foram devidamente executados e que a documentação médica correspondente demonstra sua adequação.

A instituição também destaca que a definição da técnica cirúrgica e da via de acesso adequada a cada paciente é uma decisão de natureza técnico-assistencial, tomada pelo médico responsável de acordo com as condições clínicas e as particularidades de cada caso. A Casa de Saúde afirma que jamais orientou ou interferiu nas decisões técnico-científicas dos médicos que atuam em seu corpo clínico.

A relação entre a Casa de Saúde e o poder público também já foi objeto de análise pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco. Em auditoria especial concluída em julho de 2025, segundo a instituição, não foram identificados prejuízos financeiros decorrentes da contratação.

A relação contratual da unidade com o poder público também passou a ser alvo de questionamentos em razão de um dos sócios da Casa de Saúde ser Jorge Branco, marido da vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause. Conforme decisão anterior do Tribunal de Contas mencionada pela instituição, não foi identificada situação de nepotismo na contratação, considerando, entre outros aspectos, que a relação contratual com a unidade hospitalar é anterior à participação de Priscila Krause na atual gestão estadual e que ela não participou do credenciamento ou dos pagamentos realizados à instituição.

Com a conclusão da auditoria do Ministério da Saúde, a Casa de Saúde informa que apresentará, pelas vias administrativas cabíveis, os esclarecimentos e a documentação médica pertinentes aos pontos questionados. A instituição discorda das conclusões apresentadas em parte dos itens e entende que os procedimentos devem ser analisados considerando não apenas os aspectos formais dos documentos, mas também a indicação clínica e o conjunto da documentação médica de cada paciente.

A Casa de Saúde reafirma seu compromisso com a transparência, com o Sistema Único de Saúde e com a população de Garanhuns e dos municípios da região, que atende há mais de cinco décadas. A instituição afirma que seguirá prestando os esclarecimentos necessários às autoridades competentes e adotando as medidas administrativas cabíveis para apresentar sua posição em relação aos pontos levantados pela auditoria.

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