Em estudo pelo Ministério da Saúde desde o final de junho, a distribuição de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde virou promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na quinta-feira, Lula citou o fornecimento do medicamento para pessoas obesas que tenham dificuldade de emagrecer.
A pasta prevê a distribuição para casos de obesidade de grau 3, considerada a mais grave, ou associada a outras morbidades, como comprometimento cardíaco e diabetes. Nesta condição, também há indicação para cirurgia bariátrica.
Desde o ano passado, o Ministério da Saúde vem atuando junto à Anvisa no processo de quebra de patentes para a ampliação de ofertas de canetas no mercado nacional, o que tem baixado o valor do produto no Brasil.
Em paralelo, um estudo com 250 pacientes com obesidade grave feito pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC) tem analisado indicadores como efetividade, segurança, o impacto clínico e o custo do uso de medicamentos à base de semaglutida no tratamento da obesidade no sistema público. O estudo tem duração de dois anos.
Independentemente do resultado do estudo, integrantes da pasta afirmam que o Ministério da Saúde já tem condições de submeter o uso das canetas à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
A pasta tem em mãos estudos científicos já publicados e tem recebido colaborações de outros municípios brasileiros que tem feito teste em pacientes na rede pública. Cabe ao Conitec avaliar o impacto orçamentário, a qualidade do medicamento, reflexos na saúde pública dos pacientes e os públicos alvos. Ainda não há definição sobre quando essa solicitação será feita.
A pasta vem conversando com a indústria sobre o tema, mas não revela se tem negociação aberta. Lula tratou do uso das canetas do SUS em visita ao novo complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG).
— Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar, de graça, das pessoas que tenham obesidade. Quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema para se curar (da doença) — afirmou Lula.
Na mesma agenda, o presidente também criticou a recomendação excessiva de médicos para o uso de canetas emagrecedoras e afirmou que, caso os profissionais não mudem a abordagem, deputados e candidatos distribuirão o medicamento para apoiador “por todo lado”.
Fonte: O Globo
Blog do Didi Galvão

