Bolsonaro na Papudinha: bispo diz que ex-presidente está abatido e com dificuldades para comer

Autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a prestar assistência espiritual, o bispo Robson Rodovalho, fundador da Sara Nossa Terra, realizou nesta sexta-feira (30) sua primeira visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde ele está custodiado.

Após o encontro, o líder religioso afirmou ter encontrado o ex-mandatário abatido, com dificuldades para se alimentar, dependente de medicação para dormir e enfrentando crises persistentes de soluço.

“Ele dorme só com medicação ou quando está muito cansado. Não consegue tomar café e precisa de uma alimentação muito específica”, afirmou Rodovalho ao jornal O Globo.

Segundo o bispo, Bolsonaro permanece em um espaço improvisado dentro da unidade, descrito como simples, mas com alguma liberdade para circular pelo pátio. Durante a visita, o médico e o advogado do ex-presidente estiveram no local. O profissional de saúde acompanhava o quadro dos soluços, que, de acordo com o líder religioso, não tem solução imediata.

Rodovalho disse ter defendido junto à equipe médica e à defesa a adoção de um tratamento mais intensivo, por considerar que o estado de abatimento está associado à dificuldade de alimentação regular.

“Eu defendi um tratamento muito mais intensivo, e em casa. Saí com a impressão de que ele não pode ficar lá”.

A maior parte do encontro foi dedicada à conversa de cunho religioso. O bispo afirmou que conduziu a visita a partir de passagens bíblicas, especialmente salmos, e fez anotações na bíblia do ex-presidente.

Segundo ele, a mensagem central foi de que o momento de adversidade não deveria ser encarado como o fim de sua trajetória. Rodovalho disse ainda ter conversado com Bolsonaro sobre a imprevisibilidade da vida, afirmando que circunstâncias fora de controle podem alterar rumos pessoais e políticos e que nem tudo está sob domínio humano.

“Eu disse: ‘O senhor não aceite deixar o seu legado nessas circunstâncias’. Falei que ele precisa lutar, que a fé traz esperança e vontade de viver”.

Rodovalho relatou que Bolsonaro reagiu de forma positiva à conversa, acompanhou as leituras e participou de um momento de oração. Ao final da visita, ambos cantaram a canção “Deus está aqui”, da cantora gospel Eli Soares. A música tem versos como “Deus está aqui tão certo como o ar que eu respiro, tão certo como o amanhã que se levanta”. Segundo o bispo, o gesto teve o objetivo de reforçar que o ex-presidente não está isolado.

“Ele respondeu bem. Fizemos anotações na bíblia dele e cantamos ‘Deus está aqui’, para lembrar que ele não está esquecido”.

O líder religioso afirmou que pretende retornar na próxima semana para dar continuidade à assistência espiritual.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal na ação penal da trama golpista. Ele está sob custódia por determinação da Corte, que também define as regras de visitas e de assistência religiosa, como a que permitiu a ida do bispo ao local. A assistência espiritual está entre as prerrogativas constitucionais asseguradas a presos.

Desde que passou a cumprir a pena, o ex-presidente deixou a unidade da Polícia Federal onde estava inicialmente e foi transferido para dependências da Polícia Militar do Distrito Federal. A defesa tem apresentado pedidos pela prisão domiciliar, alegando que Bolsonaro não tem condições de saúde de permanecer em custodia. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a ter audiências com os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

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