Defesa pública do senador petista alvo da Operação Compliance Zero pressiona governo sobre decisão de futuro de Wagner, segundo apuração do analista de Política da CNN Teo Cury
Fonte: CNN Brasil
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu publicamente em defesa de Jaques Wagner (PT-BA) após o senador petista ser alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF (Polícia Federal). O gesto, segundo apuração do analista de Política da CNN Teo Cury, pressiona o governo federal para que tome uma posição em relação ao futuro de Wagner na liderança do governo no Senado.
O posicionamento de Alcolumbre ocorreu em um momento delicado: além da operação que mirou Wagner, o próprio Alcolumbre havia aparecido no noticiário em reportagem da revista Veja como suposto destinatário de recursos transferidos por Daniel Vorcaro, acusação que ele rechaçou publicamente.
Diante desse pano de fundo, Alcolumbre foi ao Salão Verde da Câmara dos Deputados e, diante da imprensa, defendeu o senador.
Defesa pública e presunção de inocência
Ao tomar a palavra, Alcolumbre afirmou ser necessário garantir a presunção de inocência e criticou o que chamou de tendência de tratar pessoas como culpadas antes mesmo de terem a chance de se defender.
Segundo Teo Cury, ao fazer isso antes de qualquer manifestação pública do governo ou de uma decisão sobre o futuro de Wagner, Alcolumbre inseriu um novo elemento na equação política.
“Alcolumbre acredita que o senador Jaques Wagner vai conseguir apresentar todos os esclarecimentos e explicações necessários para que consiga descartar qualquer suspeita com relação a ele”, destacou Cury ao resumir a postura de Alcolumbre.
Relação entre Alcolumbre e o governo
A relação entre Alcolumbre e o governo federal acumula tensões recentes. O presidente do Senado protagonizou, por exemplo, a derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), além de ter se distanciado politicamente do Palácio do Planalto ao longo dos últimos meses.
Ainda assim, Alcolumbre mantém boa relação com Wagner, o que torna seu gesto ainda mais significativo politicamente.
De acordo a analista de Política da CNN Isabel Mega, governistas avaliam que o apoio de Alcolumbre a Wagner pode ser lido como um sinal de aproximação ao governo como um todo. “Quando Davi Alcolumbre faz um gesto a Jaques Wagner, isso pode ser lido como um gesto de aproximação ao governo como um todo”, afirmou.
Segundo ela, Alcolumbre já vinha sinalizando disposição para conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas era o Palácio do Planalto que se mostrava mais reticente ao diálogo direto.
Blog do Didi Galvão

