Alckmin pode assumir Fazenda para acalmar o mercado financeiro

Vice reeleito pode assumir o ministério para mostrar ao mercado compromisso do governo com a responsabilidade fiscal

Por Correio Braziliense

Como o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ainda está em curso, para a quarta e última gestão do presidente os nomes que poderão formá-lo devem ser decididos somente a partir do fim de novembro. Assim mesmo, fontes palacianas que se dispuseram a analisar o assunto, não acreditam em mudanças significativas ou surpreendentes.

O vice-presidente Geraldo Alckmin pode assumir um posto de peso. É, hoje, o nome mais cotado para dirigir o Ministério da Fazenda. A razão é simples: resgatar a simpatia da Faria Lima, que se jogou de cabeça na campanha de Flávio Bolsonaro. A colocação de Alckmin na pasta seria a demonstração de que o governo, a partir de 2027, assume um compromisso sério e público com o equilíbrio fiscal, tanto cobrado pelo setor financeiro. Dario Durigan, nesse caso, poderia substituir Alckmin exatamente na pasta da Indústria, Comércio e Serviços — e continuar o trabalho de negociação com o governo de Donald Trump que está em curso e do qual, aliás, já participa.

O patamar de André Janones também tende a ser outro. O deputado da Rede Sustentabilidade por Minas Gerais foi reeleito, mas exerceu papel fundamental entre o primeiro e o segundo turno ao eletrizar a militância e fazer com que os petistas — e os não eleitores de Flávio — se engajassem na reeleição. No discurso da vitória, Lula deu a entender que o palamentar terá papel preponderante na comunicação do governo neste quarto mandato. Garantiu, inclusive, que será mais visto nas redes sociais e falará diretamente à sociedade.

Isso não quer dizer, porém, que Janones foi aceito pelas hostes do PT, que tem dúvidas sobre os métodos de mobilização que utiliza, considerados iguais aos da extrema-direita. Dentro da campanha do presidente, houve quem torcesse o nariz para ele. E não são poucos os petistas que consideram inconcebível o deputado ser cogitado para algum posto relacionado à comunicação — setor que vem sendo motivo de críticas desde que o presidente obteve o terceiro mandato, em 2022.

Por conta, sobretudo, da campanha no segundo turno, além da falta de sucessores para a disputa de 2030, alguns nomes cresceram muito no conceito de Lula — embora já fossem admirados pelo presidente. O senador Camilo Santana (PT-CE) é um deles. No primeiro turno, ele trabalhou intensamente pela reeleição do governador Elmano de Freitas e conseguiu o segundo mandato para o petista.

No segundo turno, assumiu as rédeas da campanha à reeleição ao lado do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e do presidente do PT, Edinho Silva. Essa tríade foi responsável pelo reagrupamento da tropa, que estava dispersa na etapa anterior da eleição — como chegou a reclamar publicamente o próprio Lula.

Camilo foi ministro da Educação. Mas, no próximo governo, pode se tornar um dos mais próximos auxiliares de Lula e ocupar a poderosa Casa Civil. Só que não estaria afastada a hipótese de ele retornar ao MEC e manter a visibilidade de uma pasta forte e capaz de projetá-lo para voos mais altos.

Camilo, porém, tem um adversário de peso para a Casa Civil: o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, derrotado por Tarcísio Gomes de Freitas na disputa pelo governo paulista. Sobre se ele pode ser o nome a ser lançado pelo PT à Presidência em 2030, isso é algo a ser analisado com o tempo. Haddad é considerado “pau para toda obra”, mas perdeu duas vezes para o bolsonarismo — agora, para Tarcísio, e em 2018, para Jair Bolsonaro.

Quem corre por fora também pela Casa Civil é Gleisi Hoffman, que já esteve no Palácio ao ocupar a Secretaria de Relações Institucionais. Ela disputou o Senado pelo Paraná e não foi eleita. Considerada pessoa de confiança — presidiu o PT quando o presidente esteve preso nas dependências da Polícia Federal, em Curitiba — , Lula tende sempre a mantê-la por perto e em postos-chave.

Fica onde está

Quem deve permanecer onde está é Alexandre Padilha, ministro da Saúde. Desde que sucedeu Nísia Trindade, é consenso dentro do Palácio do Planalto que a pasta não apenas obteve visibilidade como se envolveu na articulação política direta com estados, municípios e Congresso. O perfil de Padilha, de muita presença nas redes sociais, é considerado mais compatível com a comunicação atual, sobretudo por causa do alcance das plataformas para a divulgação de programas do governo na área.

Também devem voltar ao governo Simone Tebet e Marina Silva, ambas derrotadas em São Paulo na corrida ao Senado. Mas não representa que reocuparão os espaços em que estavam antes de decidirem disputar as eleições. Tebet é considerada um bom nome para voltar ao Planejamento, mas, nesse caso, sua maior rival é Miriam Belchior, que também esteve à frente da pasta, só que no governo de Dilma Rousseff. Há a possibilidade, ainda, de Miriam ser deslocada para a presidência da Petrobras.

Marina, entretanto, pode ser alocada nesta mesma Petrobras. Crítica da prospecção de petróleo na Margem Equatorial, um projeto que vem sendo acalentado por Lula é colocá-la no comando da empresa com o objetivo de consolidar a estatal como produtora de energia limpa e renovável — o presidente várias vezes disse que seria o papel da empresa no futuro.

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