Águas do São Francisco garantem vida nova no sertão nordestino

O agricultor Cícero Taveira, 69 anos, lembra-se de ter dormindo sem comer, várias vezes, porque não tinha água em casa. A vida dura do sertão nordestino obrigava-o a escolher se tomava banho, bebia água ou cozinhava. Isso quando havia essa possibilidade. Atualmente, a realidade é outra. Graças às obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), que, desde 2018, garantem água potável às populações dos Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.

Apesar de inauguradas pelo governo anterior, ainda há pendências. Em abril deste ano, o presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Waldez Góes, assinaram, em Iguatu (Ceará), ordem de serviço para concluir as 3,5% das obras faltantes. São as chamadas “obras de acesso”, compostas por ramais, túneis e continuidade de construções, como é o caso do Ramal do Salgado, região onde vive Cícero Taveira.

O agricultor disse ter ficado muito satisfeito quando o Governo Federal deu um local para que ele morasse com a família na Vila Retiro. Além da melhoria da qualidade de vida, com água potável e em abundância, ele diz que, agora, consegue estar mais perto da família. “Tenho um filho que mora aqui do lado, meu neto mora com ele, mas passa muito aqui. É muito bom ter a família por perto também. Ainda mais quando chegamos a essa idade. Só saio aqui para o cemitério. Mas que demore muito ainda”, disse, às gargalhadas. Ele agradece por seu neto ter sofrido pouco por causa da escassez de água. “Da minha família, só minha esposa passou o que passei. Tinha pouca água, era difícil conseguir”, destacou.

A comunidade onde vive Cícero Taveira faz parte do Projeto Básico Ambiental (PBA), elaborado a partir das recomendações propostas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), para melhorar as condições socioeconômicas e culturais da região, com a implementação da irrigação de pequeno porte, como forma de garantir a diversificação e a elevação da produção e diversidade de culturas nas Vilas Produtivas Rurais (VPRs), assentamentos do Incra e comunidades Indígenas.

As VPR’s são áreas implantadas pelo MIDR para reassentamento de famílias que residiam na faixa de implantação das obras do PISF e possuem uma vila residencial e áreas próprias para produção agropecuária em lotes de sequeiro e irrigados.

Atualmente os eixos estruturantes do PISF, o Eixo Norte e Eixo Leste, encontram-se totalmente operacionais e com o avanço físico das obras em 98,98%, restando apenas obras complementares para atingir os 100% de execução.

Água tratada

Equipe de reportagem do MIDR esteve em Penaforte, no Ceará, na Vila Retiro, onde 120 pessoas são beneficiadas. Elas vivem em um local com mais recursos do que antes, quando ainda não havia obras da Transposição do Rio São Francisco. Eles receberam lotes para produzir e, até o final de outubro deste ano, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional entregará mais lotes para produção a outras famílias.

Outra beneficiada com o projeto é a agricultora Francisca Maria dos Santos, 55 anos. Ela nasceu em Jati (Ceará), onde hoje existe uma barragem, e mora em Penaforte há, aproximadamente, oito anos. “Posso dizer que nós fomos abençoados, pois a gente não tinha terra para plantar, morava em áreas que eram dos outros, de favor. E hoje em dia moro no que é meu”, disse, bastante emocionada. Durante toda a conversa, ela não conseguiu segurar as lágrimas. Agora, de alegria por ter uma vida melhor, em razão de viver, atualmente, em uma vila produtivas rural e ter acesso à água em quantidade e em qualidade.

“Com essa água, nossa situação mudou e muito, pois muita gente não tem condições financeiras de cavar um poço. E, mesmo se cavasse, a água não teria qualidade. Antes da transposição, tinha muito problema de saúde. Meu filho mesmo, o Gabriel, vivia internado por beber água salgada, sem tratamento, pois a gente bebia água de rio, de cacimba. Vivia doente, mas depois que a gente se mudou para a vila, ele nunca mais teve problema de saúde”, contou Francisca, que consegue alimentar sua família com o que produz.

O agricultor Josué Raimundo dos Santos, 46, atesta o relato de Francisca. Ele nasceu em Salgueiro (Pernambuco), e mora em Penaforte. “A gente tinha que pegar água nos açudes, fui muitas vezes em cima de um jumento e não era água com qualidade. Quando chegava o auge da seca, a gente dependia de carro-pipa. Hoje nós estamos em um lugar rico, comparando do lugar que a gente estava antes”, lembrou.

“Na vila, a gente produz diversos cultivos, como o coentro, o pimentão, a batata-doce. Com área irrigada, acho que conseguiremos, além de produzir para o consumo da nossa família, vendermos e termos algum dinheiro extra. Eu morava onde hoje fica a Barragem de Milagres. E fico feliz que, por meio dela, tem muito nordestino matando a sede”, comemorou Josué Raimundo.

Ascom – MIDR

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