Acusado de vazar dados da esposa de Moraes pede que Fachin anule decisões do ministro

Defesa de Marcelo Conde sustenta que Moraes não poderia ter atuado na investigação por envolver informações fiscais de Viviane Barci

Diário de S. Paulo

O empresário Marcelo Conde pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a anulação de todos os atos praticados pelo ministro Alexandre de Moraes na investigação que apura o vazamento de dados fiscais sigilosos. Conde é apontado como suspeito no caso, mas nega ter sido responsável pela divulgação das informações.

A defesa sustenta que Moraes não deveria ter atuado na apuração porque entre os dados investigados estão informações relacionadas à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O magistrado esteve à frente do caso enquanto ele tramitava entre os procedimentos vinculados ao chamado Inquérito das Fake News.

O argumento apresentado agora ao presidente do Supremo ganhou força, segundo a defesa, após Moraes declarar-se impedido, em 21 de setembro, de analisar outro processo que envolve diretamente Viviane. Na ocasião, o ministro havia sido sorteado relator de um mandado de segurança que busca obter registros de entrada e saída de pessoas nas dependências do Senado Federal.

A ação foi apresentada pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), depois de o Senado negar um pedido de acesso aos registros sob a justificativa de que se tratava de informações de caráter pessoal. Entre os nomes incluídos na solicitação estavam Viviane Barci, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Fábio Luís Lula da Silva.

Ao receber o processo, Moraes invocou o artigo 144 do Código de Processo Civil e declarou impedimento por envolver sua esposa. O caso foi, então, encaminhado à Presidência do STF para redistribuição. É esse episódio que a defesa de Conde utiliza para questionar a validade da atuação anterior do ministro na investigação sobre o vazamento de dados.

Mudança na relatoria

Moraes deixou a relatoria do Inquérito das Fake News em 9 de setembro, quando Fachin revogou a designação feita em 2019 pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, e assumiu a condução do procedimento. Na decisão, porém, Fachin determinou expressamente a preservação dos atos já praticados por Moraes.

A mudança também atingiu processos e investigações derivados do inquérito principal. Levantamento divulgado posteriormente apontou que Moraes deixou de conduzir ao menos outros 38 procedimentos relacionados às apurações abertas a partir do Inquérito 4.781.

Agora, Marcelo Conde tenta fazer com que a preservação dos atos anteriores não seja aplicada ao seu caso. Caberá a Fachin analisar se o impedimento declarado por Moraes no processo envolvendo os registros do Senado tem algum efeito sobre as decisões tomadas anteriormente na investigação do empresário.

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