Agência de inteligência vê tendência de escala da pressão americana sobre o processo eleitoral e cita Marco Rubio como ponto central
Materia: O Tempo
Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirma que a possibilidade de interferência do governo dos Estados Unidos nas eleições brasileiras chegou a um “nível de criticidade”. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da “Folha de S. Paulo”.
O documento, enviado em agosto à Presidência da República, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, afirma que desde maio, as ações do governo Donald Trump “indicam tendência de escalada de pressão”, sobretudo após a designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Outro episódio citado pela Abin são as sanções, em julho, contra dois brasileiros e três empresas sediadas no Brasil e uma em Portugal por supostos vínculos com o PCC. O fato mostra que a atuação americana “passou a produzir efeitos concretos contra pessoas físicas e jurídicas brasileiras”, segundo a Abin.
“Observa-se sequência de atos compatível com padrão já identificado: enquadramento de organização criminosa brasileira como ameaça à segurança nacional dos EUA; construção de narrativa sobre sua atuação transnacional; vinculação do tema ao sistema financeiro estadunidense; e adoção de medidas sancionatórias específicas contra indivíduos e empresas brasileiras”, diz o relatório.
A Abin destaca que uma das prioridades do atual governo Trump é reafirmar a hegemonia dos EUA na América Latina. Nesse contexto, o Brasil virou um alvo preferencial por ter um “governo com maior disposição política e meios para defender sua autonomia estratégica, ante as pressões estadunidenses por concessões e realinhamento geopolítico”.
O papel central de Marco Rubio
O relatório aponta o secretário de Estado, Marco Rubio, responsável pela política externa americana, como figura central nessa diretriz do governo Trump. A Abin destaca que Rubio culpou Lula pela imposição de tarifas dos EUA aos produtos brasileiros.
“A declaração insere caráter personalista à ação política estadunidense e tem potencial de impactar o debate púbico sobre o tema no Brasil, uma vez que a narrativa passou a ser reproduzida e amplificada por veículos de comunicação, agentes econômicos, analistas e atores políticos nacionais”, diz a Agência.
Uma prioridade de Rubio, segundo a Abin, seria “influenciar e reorientar a política externa dos países da região” para distanciar os países latino-americanos da China por meio da “ascensão de governos conservadores”.
Lula manda recados a Trump
Em agendas de governo e de campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem dizendo para Donald Trump não interferir nas eleições brasileiras. “Eu já disse inclusive ao meu amigo Trump: ‘não se meta nas eleições brasileiras’, que as eleições brasileiras são um problema do povo brasileiro. E não duvide da urna brasileira”, declarou, na última quarta-feira (16/9), em encontro com pastores americanos, em Brasília.
Nesta semana, Lula viaja a Nova York para participar da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde fará o discurso de abertura, na terça-feira (22/9). Há uma expectativa de que ele tenha um encontro, mesmo que informal, com Trump. Uma reunião oficial bilateral é tratada como pouco provável.
Blog do Didi Galvão

