A peregrinação eleitoral que se repete a cada quatro anos; já já chega de “bando” os deputados nas cidades do Sertão

Por: Mayko Galvão

Quando será que começa a peregrinação? Essa é a pergunta que ecoa em muitas cidades do interior, especialmente no Sertão de Pernambuco, onde a política ainda se constrói em grande parte na base do corpo a corpo. Estamos nos aproximando de 2026, ano de eleições gerais, e já se nota a movimentação dos futuros candidatos a deputado estadual e federal, muitos deles reaparecendo após um longo período de ausência. O roteiro é conhecido: chegam em caravanas, visitam comunidades e repetem o discurso de que “nunca esquecemos do nosso povo”.

O detalhe é que, em boa parte dos casos, esses mesmos políticos passaram três anos sem colocar os pés nas cidades que agora buscam conquistar. O eleitorado, que deveria ser tratado com respeito contínuo, é lembrado apenas no calendário eleitoral. É verdade que alguns parlamentares destinaram emendas pontuais — uma ambulância aqui, um calçamento ali — mas a maioria nem isso fez, limitando-se a voltar no período de pré-campanha para reforçar laços “de amizade e elevada estima” e pedir votos como se a presença esporádica fosse suficiente, e para muitos é, infelizmente.

Esse comportamento, repetido a cada quatro anos, fragiliza a relação de confiança entre representantes e representados. A ausência prolongada de muitos deputados demonstra que, para eles, o Sertão nunca passou de um “curral eleitoral”, espaço a ser visitado somente quando os votos se tornam necessários. A política, porém, não deveria ser uma relação de visitação temporária, e sim de compromisso permanente, pautada na fiscalização, na proposição de políticas públicas e na proximidade com as necessidades reais da população.

A peregrinação, inevitavelmente, se intensificará nos próximos meses. Encontros de lideranças e promessas vão se multiplicar nas cidades, feiras e associações comunitárias. Mas cabe ao eleitor observar com atenção: quem esteve presente nos momentos de dificuldade? Quem trouxe soluções efetivas? E quem só aparece para pedir apoio em troca de favores passageiros? Essas perguntas precisam ser feitas para que a política do Sertão avance e não fique eternamente presa ao ciclo de esquecimento e reaparição.

O desafio da população é romper com essa lógica da política de temporada. Em tempos de redes sociais, é possível acompanhar a atuação parlamentar de perto: analisar proposições, verificar emendas, fiscalizar o comportamento em plenário, ver se ao usar a tribuna lembra ao menos de citar os problemas de seu município. Não é mais aceitável que deputados tratem o povo como público de espetáculo, aparecendo apenas nos intervalos eleitorais para ensaiar falas de proximidade.

A peregrinação de 2026 está prestes a começar. Mas, se o eleitor souber separar discurso de prática, promessa de ação, e presença de ausência, pode transformar essa repetição em oportunidade. O voto consciente é a melhor forma de mostrar que o Sertão não é palco de passagem, mas território de cidadãos que exigem respeito e compromisso contínuo.

Verifique também

Polícia Civil de Salgueiro realiza mutirão para devolução de celulares recuperados às vítimas

Os Polícia Civis da 23ª DESEC, através da Delegacia 193ª Circ Salgueiro, setor de investigação, …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

planetsorare.com/pt/ bonus de cassino online