Oposição aposta em atos em Brasília e em São Paulo contra Lula e o STF

Além do desfile oficial em Brasília, o 7 de Setembro será marcado por manifestações da direita em São Paulo e na capital federal. Lula estará na Esplanada, enquanto Flávio Bolsonaro puxa protesto na capital paulista

Faltando praticamente um mês para o primeiro turno das eleições, o feriado da Independência chega em meio à maior crise institucional do Supremo Tribunal Federal, desde a redemocratização. De olho em ganhos eleitorais, a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pega carona na instabilidade da mais alta Corte do país para tentar impulsionar candidaturas e inflar atos políticos pelo país. Hoje, enquanto Lula participa do Desfile da Independência, em Brasília, Flávio Bolsonaro vai para um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no período da tarde, onde deve reunir milhares de apoiadores, com a mobilização de prefeitos do interior paulista e de candidatos. Os eventos ocorrem em meio a troca de acusações entre os candidatos e a forte crise no Poder Judiciário, que muda o foco da corrida eleitoral.

A expectativa é de que o desfile na Esplanada dos Ministérios atraia 30 mil pessoas. O acesso ao local será liberado a partir das 6h. A capital federal registra um intenso fluxo de turistas desde o final da semana passada, em razão do evento. Apesar de ser um ato oficial, apoiadores do presidente apontam que é importante que Lula demonstre força política ao atrair público para o evento. A federação, que envolve PT, PCdoB, PV e outros partidos, marcou uma ação partidária a poucos metros do desfile, na área do Museu da República, o que aumenta o clima de campanha em torno do evento cívico.

No entanto, Brasília também será palco de atos da oposição. Uma manifestação que ocorre sob o lema “Fora, Moraes” está marcada para ser realizada em frente ao Banco Central, a poucos metros da Esplanada. Em outro ato, convocado pela deputada Bia Kicis (PL) e por Thiago Manzoni (PL), candidato à Câmara dos Deputados, militantes devem se reunir para gritar palavras de ordem contra Lula e Moraes, nas proximidades da Torre de TV. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal acompanha o desdobramento das manifestações e anunciou reforço no policiamento no centro da capital.

Expoentes da direita

Em São Paulo, além de reunir apoiadores, o ato de Flávio Bolsonaro vai contar com a presença de políticos de direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, além de outros nomes. A manifestação deve ser marcada por fortes críticas contra o governo do presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, que está no centro de uma crise profunda que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF).

Mesmo políticos que se posicionam fora da polarização entre PT e o PL pegam carona nos acontecimentos recentes do Supremo. Renan Santos, do Missão, confirmou presença na manifestação que será realizada hoje, às 11h, no Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo. “O Brasil precisa sair às ruas para que tudo venha à tona sobre esse caso, que seja disponibilizado para a imprensa as conversas do senhor Daniel Vorcaro com todas as autoridades da República. Que todo mundo que recebeu dinheiro do Daniel Vorcaro seja exposto e que a população saiba que a Justiça vai julgá-los”, disse ele.

Moraes tornou-se alvo das críticas de políticos bolsonaristas nos últimos dias, após a divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que citam o ministro do Supremo. A divulgação ocorreu por ordem do ministro André Mendonça, indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e que é tido como um expoente da direita dentro do STF. Ao mesmo tempo, Mendonça foi acusado por Moraes, por meio do inquérito das fake news, de privilegiar “determinado grupo político” em suas decisões. O despacho do ministro provocou uma ebulição no meio político e jurídico que intensificou ainda mais as discussões em torno da situação da cúpula do Judiciário.

Integrantes da direita mais radical colocaram Moraes como alvo desde o dia 8 de janeiro de 2023, quando ele tomou as primeiras decisões relacionadas aos atos golpistas. No entanto, sempre esbarraram na legalidade das decisões e na opinião popular, amplamente favorável a punição para quem participou dos atentados em Brasília. Porém, as revelações recentes, que representam suspeitas de desvios éticos, morais e legais no exercício do cargo, dão força para o discurso que o magistrado é autoritário e que usa o Supremo para perseguir opositores.

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