Tragédia no Nepal e Tibete deixa mais de 380 turistas desaparecidos

Pelo menos 95 pessoas morreram nesta quarta-feira (26/8) no Nepal após inundações na fronteira com a China. As autoridades locais informaram que 384 turistas, dos quais 291 são estrangeiros, continuam desaparecidos.

O desastre ocorreu quando uma avalanche de lama e escombros rompeu a margem de um rio, soterrando edifícios e desencadeando uma busca por sobreviventes. Imagens da polícia nepalesa mostram a cheia arrastando várias casas no distrito de Rasuwa.

Segundo a polícia, 19 corpos foram recuperados até o momento. A corporação também citou a existência de “vários agentes que estão fora de contato” com as autoridades.

“Vi quando as águas arrastaram oito ou nove caminhões, além de casas e pessoas”, contou Suman Chalise, um professor de 34 anos que estava na localidade de Nuwakot. “Foi absolutamente desolador, fui testemunha de uma devastação de uma magnitude que nunca tinha visto nada igual”.

O Departamento do Turismo do Nepal divulgou um balanço preliminar com base em dados de agências de viagens. O levantamento identificou 384 viajantes desaparecidos nas áreas afetadas, sendo 291 cidadãos estrangeiros e 93 nepaleses.

A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida da popular rota de trekking de Langtang, e outras áreas usadas por viajantes na peregrinação hindu até Kailash Mansarovar.

A imprensa estatal chinesa informou que um deslizamento de terra no Tibete, na fronteira com o Nepal, causou “muitas vítimas”. O presidente Xi Jinping ordenou uma operação de resgate “em larga escala”.

Raju Bhadel, de 56 anos, recebeu uma ligação do cunhado pela manhã. “Eles estavam chorando e disseram que a casa deles foi destruída. Três parentes foram resgatados, mas o irmão dele continua desaparecido”, afirmou.

Inundações e deslizamentos de terra são frequentes durante a temporada de monções no Nepal e no sul da Ásia. Cientistas apontam que as mudanças climáticas aumentam a intensidade e a frequência desses fenômenos.

O canal estatal chinês “CCTV” noticiou que “um deslizamento de terra no lado nepalês provocou muitas vítimas e desaparecidos no porto de Gyirong”, passagem que liga a região do Tibete ao Nepal. Segundo Xi Jinping, “a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para encontrar e resgatar os desaparecidos”, além de “atender rapidamente os feridos e reduzir ao mínimo o número de vítimas”.

Fonte: AFP

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