Por: Carlos Nascimento
A população de Santa Maria da Boa Vista volta a enfrentar um velho problema que parece não ter solução: a irregularidade no abastecimento de água. Nas últimas semanas, moradores do bairro Loteamento Rocha relatam que estão há mais de uma semana sem receber sequer uma gota d’água nas torneiras, situação que tem provocado indignação e dificuldades no dia a dia das famílias.
O cenário chama ainda mais atenção por um motivo evidente. A cidade está localizada às margens do Rio São Francisco, uma das maiores e mais importantes fontes de água do país. Mesmo assim, o acesso regular à água tratada continua sendo um desafio para milhares de boavistanos, que dependem do serviço prestado pela Companhia Pernambucana de Saneamento, a Compesa.
O que mais tem revoltado os moradores é que, mesmo após as chuvas registradas nos últimos dias na região, a situação do abastecimento só tem piorado. Em vez de melhora, a população relata que a falta de água tem se tornado ainda mais frequente. Famílias afirmam que já ultrapassaram uma semana sem qualquer abastecimento, vivendo apenas com o que conseguem armazenar em reservatórios ou conseguir com vizinhos.
Com a ausência de um serviço confiável de abastecimento, a rotina das famílias fica completamente comprometida. Atividades simples como cozinhar, lavar roupas ou manter a higiene básica passam a depender de água guardada em baldes, caixas improvisadas.
O problema não é exclusivo de Santa Maria da Boa Vista. Em diversas cidades de Pernambuco, moradores também convivem com interrupções constantes no fornecimento de água, o que reforça a sensação de abandono por parte da companhia responsável pelo serviço.
Outro ponto que começa a gerar questionamentos, é a recente discussão sobre a privatização do sistema de abastecimento. Será que essa medida realmente vai melhorar o fornecimento de água? Em vários estados do país, experiências de privatização das companhias de saneamento têm sido alvo de críticas, com relatos de aumento de tarifas e manutenção dos problemas no serviço.
Diante desse cenário, cresce a cobrança para que a Compesa e o governo estadual apresentem respostas claras e soluções efetivas para o abastecimento. Para quem vive às margens do Velho Chico, continuar convivendo com longos períodos sem água nas torneiras é uma realidade difícil de aceitar. A população de Santa Maria da Boa Vista não pede privilégios. Pede apenas o básico: água chegando de forma regular às casas de quem mais precisa.
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