Com cerca de 350 mil eleitores, a região do Sertão do São Francisco possui densidade eleitoral suficiente para eleger, ao menos, três deputados federais e cinco deputados estaduais. No entanto, a realidade está bem aquém desse potencial. Atualmente, a região conta com apenas um deputado estadual e dois deputados federais com base direta no território, um cenário que evidencia a fragmentação política local e a dificuldade histórica de unificação em torno de projetos regionais consistentes.
É importante destacar que parte das demandas do Sertão do São Francisco vem sendo defendida por parlamentares de outras regiões do estado. Isso ocorre porque esses deputados conseguem votação expressiva na região e, em contrapartida, correspondem às expectativas do eleitorado sertanejo. Ainda assim, a ausência de uma bancada regional forte reduz o poder de articulação política e enfraquece a luta por investimentos estruturantes e políticas públicas permanentes.
Ao revisitar a lista de prováveis candidatos da região para o pleito eleitoral deste ano, chama atenção a presença de, pelo menos, duas mulheres que entram de forma competitiva na disputa por vagas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Uma delas é Josimara Cavalcante, ex-prefeita de Dormentes, nome já conhecido e com experiência administrativa. A outra é a jornalista Lara Cavalcante, que disputou a Prefeitura de Petrolina em 2024 e surpreendeu ao obter uma votação superior à de um ex-prefeito e veterano em eleições, consolidando-se como uma liderança emergente.
Além disso, a relação de possíveis postulantes inclui vereadores de municípios estratégicos como Petrolina e Santa Maria da Boa Vista. No maior colégio eleitoral da região, Petrolina, pelo menos cinco nomes surgem como pré-candidatos, o que reforça o potencial, mas também evidencia o risco da pulverização de votos, um dos principais fatores que historicamente prejudicam a representatividade regional.
Santa Maria da Boa Vista, município mais antigo da região, também entra no cenário com um nome da terra, tendo como principal articulador político o próprio pai, atual prefeito do município. A movimentação demonstra que lideranças locais buscam alternativas para manter influência política, apostando no capital eleitoral construído nas gestões municipais.
Ainda há expectativa de possíveis surpresas vindas de municípios como Cabrobó e Lagoa Grande. No entanto, apenas no fim de abril o quadro deverá ficar mais claro, quando pré-candidaturas tendem a se consolidar ou ser descartadas. Até lá, o Sertão do São Francisco segue diante de um velho desafio: transformar seu expressivo eleitorado em força política real, capaz de ampliar sua representação e defender, com mais peso, os interesses de uma região estratégica para Pernambuco.
Blog do Didi Galvão

