Reflexão: Um segundo de raiva, uma vida inteira de ausência

Isso aqui não é um texto para atacar ninguém.

Também não é um texto de julgamento.

É, antes de tudo, um convite.

Um convite à reflexão.

Um convite à humanidade.

Um convite para que a gente volte a enxergar o outro como semelhante.

Como irmão.

Porque está difícil.

Muito difícil.

Essas cenas que a gente vê, e ontem todos nós vimos, não são apenas acontecimentos isolados. Elas carregam algo mais profundo. Elas revelam uma falência silenciosa do ser humano.

E isso dói.

É cortante.

É o tipo de coisa que atravessa a gente por dentro e deixa uma inquietação que não passa fácil.

Ou a gente muda… ou a gente se perde como sociedade.

Talvez esteja na hora de voltar ao básico.

Aos valores que sempre sustentaram a convivência humana.
Valores simples, antigos, atemporais, mas absolutamente indispensáveis.

Respeito.

Empatia.

Tolerância.

Consciência.

Porque sem isso… o que sobra?

Há notícias que não chegam… elas atravessam.

Não é apenas mais um caso.

Não é apenas mais um número.

É uma vida interrompida.

Um trabalhador. Um homem comum.

Alguém que saiu para cumprir o seu dia, e não voltou.

E tudo isso, mais uma vez, por algo que não deveria passar de um instante: uma discussão de trânsito.

É aqui que precisamos parar.

Parar de verdade.

Porque não morreu apenas um homem.

Morreu um pai dentro de uma casa.

Morreu um filho dentro de um coração de mãe.

Morreu um amigo dentro de um círculo de afetos.

Morreu alguém que tinha nome, história, planos e gente esperando.

A morte nunca é individual.

Ela é coletiva na dor.

Ela se espalha em silêncio pelos que ficam.

Mas há algo ainda mais inquietante e que exige de nós maturidade para olhar sem ódio:

do outro lado, também há uma família.

Também há uma mãe que vai sofrer.

Também há um pai que vai carregar o peso. Também há filhos que, de um dia para o outro, verão sua história marcada por um ato irreversível.

Porque quem tira uma vida, não destrói apenas a do outro.

Destrói a própria.

Mais cedo ou mais tarde, virá a resposta da lei.

Virá o processo.

Virá a perda da liberdade.

E virá o tempo.

O tempo… esse lugar silencioso onde a consciência fala mais alto e não há como fugir de si mesmo.

E tudo isso… por quê?

Por alguns segundos de impulso.

Por uma palavra atravessada.

Por uma incapacidade momentânea de recuar.

E talvez seja aqui que a gente precise dizer, com mais profundidade do que de costume:

isso não é sobre apontar culpados.

É sobre entender o que estamos nos tornando.

Quantas vezes ainda será preciso repetir o óbvio que a dor insiste em nos ensinar?

Que violência não resolve, só amplia.

Que não há honra em agredir.

Que não há força em esmagar.

O excesso de força não é coragem.

É descontrole.

É falência moral.

A violência é o fim da inteligência.

É a falência da palavra.

É a negação da empatia.

É a recusa de se enxergar no outro.

E talvez a verdade mais dura seja essa: ainda não somos humanos o suficiente.

Vivemos tempos estranhos.

Tempos de inversão.

Tempos em que a empatia virou artigo raro.

Tempos em que o debate cede lugar ao grito.

Tempos em que a divergência vira ataque.

Tempos em que a impulsividade substitui o diálogo.

A violência passou a ser a linguagem de quem já não consegue mais pensar.

E isso precisa nos inquietar.

Porque quando a palavra morre, o que sobra é o ato.

E o ato, quando vem sem freio, não volta.

Por isso é preciso lembrar e repetir até que entre de vez: do outro lado do volante, não está um inimigo.

Está alguém como você.

Com família.

Com história.

Com gente esperando em casa.

Com suas dores também.

Carregando a sua própria cruz.

Às vezes, a pessoa que te fecha no trânsito está vivendo um dia difícil.

Às vezes, está doente.

Às vezes, está preocupada.

Às vezes, está simplesmente tentando chegar.

E mesmo quando erra, porque todos erramos, nada, absolutamente nada, justifica transformar um instante em tragédia.

A vida não pode ser tratada como se fosse descartável.

Não pode ser reduzida a um impulso.

Não pode ser decidida em um segundo de descontrole.

Nós precisamos reaprender algo que parece simples, mas que está se perdendo:

respirar.

ceder.

seguir.

Nem toda reação precisa acontecer.

Nem toda provocação merece resposta.

Nem toda razão vale a consequência.

Maturidade não é vencer o outro.

É vencer a si mesmo.

É conter o impulso quando ele grita.

É escolher a paz quando o ego pede guerra.

Porque no final… sempre passa.

Aquele momento passa.

Aquela irritação passa.

Aquela situação perde o peso.

Mas a vida que se perde… não volta.

Nunca.

Que essa dor, que hoje atravessa tantas famílias, não seja apenas mais uma notícia esquecida.

Que ela nos acorde.

Que ela nos lembre, com urgência, que do outro lado sempre há alguém humano.

Mais tolerância.

Mais empatia.

Mais humanidade.

Pelo amor de Deus!

Rivelino Liberalino

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