Recife recebe novo ciclo do Programa Pernambuco Artesão, com lançamento nesta sexta; atividades são gratuitas e inscrições estão abertas

Iniciativa do Sebrae/PE com o Governo de Pernambuco, através da Adepe, vai acontecer no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. Podem participar artesãos de toda a Região Metropolitana do Recife

O Programa Pernambuco Artesão realiza um novo ciclo de atividades entre os meses de abril e agosto. A iniciativa, que prevê investimento superior a R$ 1,5 milhão, passará por todas as regiões do Estado, com expectativa de contemplar até 700 artesãos. Na Região Metropolitana do Recife (RMR), as atividades terão início nesta sexta-feira (10), às 8h, no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. Podem participar artesãos de toda a RMR, sendo necessário ter a Carteira Nacional do Artesão válida ou CNPJ ligado a atividade artesanal. É tudo gratuito e as inscrições vão até esta quinta-feira (09) pelo link: https://www.sympla.com.br/evento/programa-pernambuco-artesao/3318180.

Há atividades abertas a todos os inscritos, como o seminário “Artesanato: Tradição, Inovação e Mercado”, que será realizado nesta sexta-feira (10), e outras com vagas limitadas, em que a participação será mediante seleção, como é o caso das “Jornadas Criativas para Design e Aperfeiçoamento de Produto”, uma metodologia que utiliza o design como estratégia para desenvolver e aprimorar produtos, agregando mais valor. Com seminários, oficinas formativas, consultorias e palestras, o Programa Pernambuco Artesão é resultado de um convênio entre o Sebrae/PE e o Governo do Estado, através da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).

Seu objetivo central é contribuir para o fortalecimento da cadeia produtiva do artesanato enquanto segmento de desenvolvimento econômico, por meio de ações de qualificação, inovação, sustentabilidade, governança e acesso a mercado. No primeiro ciclo, realizado em 2025, a iniciativa abrangeu cerca de 900 artesãos nos sete territórios pernambucanos pelos quais passou. Neste ano, o programa ampliou para nove territórios, retornando à Região Metropolitana do Recife e a Caruaru, Garanhuns, Serra Talhada, Araripina e Petrolina, além de agregar três novas localidades: Carpina, Sirinhaém e Fernando de Noronha.

Também durante o evento desta sexta-feira (10), a equipe técnica do PAPE – Programa do Artesanato de Pernambuco estará presente para emitir ou renovar a Carteira Nacional do Artesão.

EXPERIÊNCIA

A designer Patrícia Barros, do Jaboatão dos Guararapes, iniciou sua trajetória no artesanato ainda na adolescência, influenciada pelos pais artesãos. Começou produzindo itens de cerâmica e migrou para o trabalho em metal, criando uma estética própria que marca suas peças decorativas.

Ela participou do primeiro ciclo do programa, no ano passado, e aprovou a experiência. “Eu durmo e acordo pensando em artesanato. É minha vida e a forma que encontrei de transformar ideias em realidade. O Pernambuco Artesão me ajudou a enxergar novos mercados e organizar melhor meu negócio, ampliando minhas oportunidades de crescimento”, avalia.

CALENDÁRIO DE ATIVIDADES

Depois do seminário de abertura, o Pernambuco Artesão continua, em cada território, um calendário de atividades, incluindo oficinas e consultorias com vagas limitadas. São elas: “Jornadas Criativas para Design e Aperfeiçoamento de Produto” (20 vagas); “Planejamento e Gestão Financeira” (40 vagas); “Marketing e Vendas” (40 vagas); “Embalagem, Rotulagem e Catálogo Online” (20 vagas) e “Economia Circular” (palestra online, aberta a todos os inscritos).

As atividades contribuem para a criação de novas peças e produtos e para o melhoramento do que já fazem, quando os artesãos participantes são provocados pelos designers consultores. Paralelamente, o programa também atua na qualificação dos artesãos para a gestão de seus negócios, ao trazer informações especializadas sobre planejamento e gestão financeira, marketing e vendas, e ainda consultoria em embalagem, rotulagem e catálogo online.

“Muitos artesãos dominam a técnica, mas precisam de apoio para transformar esse saber em estratégia de mercado. As atividades foram pensadas para ajudá-los a desenvolver novos produtos ou aprimorar aquilo que já produzem, fortalecendo a competitividade sem perder a essência”, afirma a gestora estadual de Economia Criativa do Sebrae/PE, Verônica Ribeiro.

O programa prevê, ainda, ações de acesso a mercados, com a participação de artesãos selecionados em três feiras nacionais e em uma missão empresarial, ampliando oportunidades de negócios.

“Enquanto Governo do Estado, nós temos a grande e honrosa tarefa de valorizar e impulsionar o talento que nasce das mãos da nossa gente, transformando herança cultural em oportunidade de negócio. Com o programa Pernambuco Artesão, preservamos legados oferecendo as ferramentas necessárias para que artesãs e artesãos possam agregar valor à sua produção, garantindo e ampliando suas rendas”, ressaltou Roberta Andrade, diretora-presidente interina da Adepe.

ESTUDO

As ações do novo ciclo do Programa Pernambuco Artesão são orientadas pelos dados do “Estudo da Cadeia Produtiva do Artesanato de Pernambuco”, realizado pelo Laboratório O Imaginário (UFPE) entre 2023 e 2025, por encomenda da Adepe, que executa o Programa do Artesanato de Pernambuco (Pape). O levantamento identificou desafios, como dificuldades de acesso a mercados e fragilidades na formação de preços, e as potencialidades específicas em cada território.

“O Pernambuco Artesão nasceu da nossa observação sobre o setor, mas neste ano ressurge, digamos, customizado aos anseios dos artesãos, porque esse novo ciclo foi construído de acordo com a escuta dedicada e abrangente que fizemos, na edição passada, para o ‘Estudo da Cadeia Produtiva do Artesanato de Pernambuco’. Era o diagnóstico que precisávamos para, enquanto poder público, contribuirmos de forma eficaz com as necessidades do setor”, fala Camila Bandeira, diretora-geral de Promoção da Economia Criativa da Adepe.

A partir desse diagnóstico, o programa foi redesenhado para garantir intervenções mais estratégicas, conectadas às vocações locais e às demandas reais do setor. Atualmente, mais de 17 mil artesãos pernambucanos estão cadastrados no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab).

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