Raquel esteve lá: presença, discurso e estratégia no tabuleiro político de Pernambuco

Raquel esteve lá! – Em política, presença é linguagem. E ausência também. Enquanto o prefeito do Recife, João Campos (PSB), optou por não comparecer à primeira reunião ordinária da Câmara de Vereadores da capital pernambucana, a governadora Raquel Lyra (PSD) fez questão de estar fisicamente na abertura do ano legislativo da ALEPE. Não é detalhe. É sinal. O discurso que Raquel levou ao plenário não teve cara de formalidade protocolar. Foi, claramente, uma mensagem calculada, dessas que miram mais o ambiente político do que o noticiário do dia seguinte. Em ano eleitoral, a governadora escolheu um tripé conceitual nada aleatório: maturidade, união e território.

Serenidade como estratégia – O ponto mais relevante foi quando ela se colocou acima do barulho. Ao dizer que “o futuro não se constrói com gritos” e que 2026 não é um ano para “distrações ou ruídos”, Raquel não estava apenas fazendo um apelo abstrato à civilidade. Estava marcando posição. É uma tentativa clara de se descolar da polarização ruidosa que paralisa governos e desgasta lideranças. Num estado que passou anos refém de disputas políticas estéreis, o discurso soa menos como lirismo e mais como cálculo: há um eleitor cansado do embate permanente e receptivo a quem promete menos conflito e mais resultado. Trocar o “ódio” pelo “propósito” não é só retórica bonita; é leitura de cenário.

Do discurso da arrumação à cobrança por entrega – Raquel também fez um movimento importante de transição narrativa. Se 2023 foi o ano da “arrumação da casa”, justificativa recorrente para decisões duras e ritmo mais lento, 2026 surge como o ano da entrega. Ao afirmar que chegou a hora de “entregar o que está contratado”, a governadora reconhece, ainda que implicitamente, que a paciência do público tem prazo de validade. É um discurso de quem sabe que diagnóstico não ganha eleição. O governo sinaliza confiança na própria capacidade e assume o risco político da cobrança: agora, não basta planejamento; é obra visível, serviço funcionando e impacto concreto na vida das pessoas.

Território como discurso e método – Outro ponto que merece atenção foi o destaque dado às regiões do estado: do Sertão ao Litoral, da periferia à zona rural. Ao falar em fazer com que as pessoas se sintam “donas do seu chão”, Raquel reforça uma identidade de gestão que aposta no municipalismo e no sentimento de pertencimento como ativo político. Não é casual. Em Pernambuco, território sempre foi mais do que geografia: é identidade, memória e disputa. Ao ocupar esse campo simbólico, a governadora tenta construir uma narrativa de governo presente onde historicamente o estado falhou em chegar.

O recado está dado – Raquel Lyra deixou claro que não pretende jogar o jogo das picuinhas políticas nem se deixar capturar pelo embate de gabinete. Mas, goste-se ou não do conteúdo, o gesto foi feito e o tom foi dado: menos palco, mais chão. Menos grito, mais entrega. Em política, isso já é metade da disputa. O “tiro”foi certeiro!

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