O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco Nacional), Kléber Cabral, afirmou que o atual ambiente jurídico inibe a fiscalização de autoridades. Segundo ele, o receio é tão grande que auditores consideram menos arriscado investigar integrantes do PCC, a maior facção do país, do que figuras de alto escalão da República. “Tornou-se menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”, disse, em entrevista à GloboNews, na quarta-feira (18).
A declaração foi feita ao comentar a operação determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes contra quatro auditores suspeitos de acessar dados fiscais de ministros da Corte, do procurador-geral da República e de familiares. Moraes autorizou buscas, quebras de sigilo e medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e proibição de sair do país.
Cabral criticou as medidas sem processo administrativo prévio ou comprovação de crime grave e apontou desrespeito ao devido processo legal. As ações ocorreram no âmbito do inquérito das fake news, instaurado em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli.
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