Os Delotérios: a irreverência que virou história, música e memória em Cabrobó

Por: Arnaldo Lins

Em 1981, na cidade de Cabrobó, surgiu um grupo de vôlei formado por jovens adolescentes, sob o comando do irreverente Nanai, filho do saudoso Pastor Camilo. Com o passar do tempo, os moradores começaram a se incomodar com o barulho, e o grupo foi mudando de lugar até que, por decisão conjunta da comunidade e do poder público, a prática do esporte acabou sendo proibida.

Mesmo assim, nas madrugadas e às escondidas, aqueles jovens se reuniam para discutir o que poderiam fazer. Foi então que tiveram a ideia de confeccionar cartazes denunciando a proibição de os jovens curtirem as férias da melhor maneira possível. Ao ver um desses cartazes, nosso saudoso João Pires foi direto ao ponto e disse:
— Isso é coisa de uns delotérios!

Na hora, Nanai bateu no peito e respondeu:
— A partir de hoje, nós somos OS DELOTÉRIOS!

E assim nasceu o grupo formado por Totinho, Rogério, Nanai, Florentino, Rui, Biriba e Rosalvo. Mas por trás desse grupo de amigos havia também uma verdadeira guerreira: Tereza, a única mulher do grupo, hoje esposa de Rogério, que sempre esteve presente e apoiando.

A primeira festa aconteceu no DK1, sob o comando do proprietário e grande incentivador do grupo, Marcondes Pereira. Nesse dia ocorreu um fato inusitado: colocaram Tadeu Muchacho para fazer uma filmagem, com todos posando para a câmera… só que, na verdade, nada estava sendo filmado!

Já em 1982, com a cidade sem carnaval, decidiram criar o Carnaval Reação (no ginásio de esportes Araujão). Compraram uma Rural, deram fitas cassete como entrada e o restante seria pago com o apurado do próprio carnaval. Para reforçar a banda, contrataram Chico Pam (bateria), Milton Daltro, Jorge Daltro e Rosalvo Sampaio, completando a turma.

A partir daí, Cabrobó e toda a região passaram a conhecer a irreverência de Nanai, a genialidade de Totinho com seu violão afinado e o talento de Rogério com o cavaquinho.

Mas o destino ainda reservava muitas surpresas para os Delotérios.
Com o sucesso das apresentações, surgiram convites em várias cidades vizinhas. Foi então que apareceram duas figuras emblemáticas: Dr. Adilson e Arimateia, verdadeiros embaixadores do grupo, que passaram a acompanhar os Delotérios em praticamente todas as apresentações pela região.

Em 1984, já consolidados, os Delotérios fizeram o Réveillon do Alvorada Clube. Mas, na minha opinião, a grande virada aconteceu em 1985, no Carnaval do Alvorada. Naquele palco surgiu um grupo que jamais iremos esquecer. Já não era apenas a irreverência de Nanai: era um espetáculo completo, com o violão marcante de Totinho e a estreia da guitarra baiana de Rogério.

A partir desse momento, só vivemos alegria com essa turma. Quem poderia imaginar ver, no mesmo palco, Totinho, Rogério, Nanai, Florentino,Adelmo e Arimateia?

Por fim, quero agradecer a Deus por ter me dado a oportunidade de viver todos esses momentos ao lado dos meus amigos, na minha querida cidade de Cabrobó.

Os Delotérios não foram apenas um grupo musical — foram, e sempre serão, parte da nossa história, da nossa juventude e das nossas melhores lembranças.

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