Mulher é morta dentro de casa em Paulista; suspeito pede “desculpas” às filhas da vítima e é preso

Uma mulher de 37 anos foi encontrada morta no bairro de Pau Amarelo, em Paulista, Região Metropolitana do Recife (RMR), no domingo (15), por volta das 15h. Segundo a família, que denuncia feminicídio cometido pelo ex-companheiro, a vítima só foi encontrada horas depois do crime.

A vítima foi identificada como Sandra Justino de Barros, e deixa duas filhas. Na declaração de óbito da vítima, consta que ela sofreu um traumatismo cranioencefálico provocado por “ação de meio contundente”. Isso significa que ela sofreu impacto de algum tipo de objeto contra a região da cabeça.

O crime é investigado pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), por meio da Delegacia de Santa Cruz do Capibaribe, como feminicídio consumado. O suspeito de 46 anos foi preso em flagrante na noite dessa segunda-feira (16), em Buíque, no Agreste.

“Após diligências contínuas, foi localizado no agreste do Estado e levado à delegacia para realização dos procedimentos cabíveis, ficando em seguida à disposição da justiça”, completou a polícia.

VÍTIMA JÁ SOFRIA VIOLÊNCIA

A filha de Sandra, Débora Almeida, 21 anos, relatou que a mãe já vivia um contexto de violência. Ela foi casada com o suspeito por quatro anos, até a separação, em fevereiro deste ano.

Ao longo desses anos, Sandra trabalhou com o homem em uma hamburgueria dele. Mesmo na frente dos clientes, ela sofria agressões físicas e verbais.

“Ela já sofria violência casada com ele. Ele trabalhava lá com ela na hamburgueria e alguns clientes já presenciariam ele gritando com ela, partindo para agressão física e verbal. Foi quando ela decidiu morar sozinha em fevereiro”, explicou a filha.

Segundo a jovem, o homem tinha acesso ao novo endereço porque a separação foi “amigável”. Ele, inclusive, a ajudou a fazer a mudança. Na noite do sábado (14), no entanto, Sandra saiu com um amigo para um bar em frente à hamburgueria do ex, e, em um ataque de ciúme, ele estaria a observando pela câmera de segurança do estabelecimento, aguardando sua saída para cometer o crime.

“Ele [o suspeito] sempre foi bem ciumento, obsessivo. Quando ela saiu do bar, era umas 4h30 da manhã, e ele endoidou. Têm até as filmagens dele doidinho procurando por ela. Foi aí que ele decidiu pegar a kombi dele e ir atrás. O amigo deixou minha mãe em casa, e foi aí que ele fez o que fez”, contou Débora.

VIZINHA ENCONTROU VÍTIMA COM VIDA

Segundo a filha, a mãe foi morta por volta das 5h, e lá ficou por várias horas. A jovem recebeu uma ligação da polícia apenas às 13h30, e foi aí que soube da morte da mãe.

Sandra foi encontrada dentro da casa por uma vizinha, que, segundo Débora, relatou que a vítima “ainda estava respirando”.

“A PM me ligou dizendo que minha mãe estava jogada no chão e ninguém conseguia entrar porque ela tinha pitbull. Eu cheguei lá por volta das 13h40, arrombei o portão para entrar porque não tinha chave, e não tinha Samu, não tinha polícia, só a vizinha de cima olhando minha mãe estirada no chão. Isso para mim foi omissão de socorro porque ela falou que viu ela respirando e disse que estava com medo da cachorra, e por isso não entrou ou tentou ajudar”, explicou a filha.

Débora explicou ainda que, em choque com a cena, focou em conter a cachorra, que era muito arisca a estranhos, do que chegar perto da mãe.

“Preferi não tocar porque ela estava defecada, com sangue na cabeça e já estava roxa. Foi aí que deduzi que tinha sido uma agressão porque o celular estava quebrado, não havia sido uma queda. Mas eu não podia acusar sem justificativa. Saiu o laudo e deu traumatismo cranioencefálico e ação de meio contundente. Foi feminicídio”, declarou.

SUSPEITO PEDIU DESCULPAS À FILHA

Segundo Débora, na segunda-feira, o próprio suspeito, que havia fugido, mandou mensagem para a outra filha de Sandra, de 17 anos, pedindo desculpas pelo crime.

“Quando foi ontem, ele mandou uma mensagem para minha irmã, que é de menor, pedindo desculpa, dizendo que nada justifica o que ele fez. Ele também ligou para a delegacia e se entregou. Por volta das 21h ele foi pego em Buíque”, disse.

Enlutada com a dor da perda da mãe e revoltada com mais um crime de feminicídio em meio a uma onda de violência contra a mulher no estado, Débora cobra por justiça.

“É lamentável, sabe? Uma sensação de revolta. Mais um feminicídio. Perdi a vida da minha mãe, é uma dor imensa e uma responsabilidade enorme. Minha avó só tinha ela de filha. Estou revoltada. A pessoa chegar a tirar a vida do outro… não sei o que será de mim daqui para frente. Só quero justiça, que a justiça seja feita. Só preciso disso”, afirmou, emocionada, a jovem.

O velório de Sandra Justino de Barros está marcado para as 8h desta terça-feira (17), no Cemitério Morada da Paz. O sepultamento será às 10h.

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