O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece ter escolhido um cenário simbólico — e altamente midiático — para dar a largada, ainda que extraoficial, à sua campanha de reeleição: a tradicional Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Em meio ao brilho do Carnaval, aplausos e sambas-enredo, o clima foi de celebração política com tempero festivo, algo que o PT historicamente sabe fazer como poucos.
No melhor estilo petista, a mistura entre política e espetáculo foi evidente. Sob os holofotes do maior palco carnavalesco do país, Lula foi exaltado em clima de consagração popular. Para aliados, trata-se de reconhecimento; para críticos, um ensaio explícito de campanha fora do calendário oficial.
O ponto que chama atenção, porém, é o debate sobre o financiamento da festa. A escola de samba Acadêmicos de Niterói levou à avenida uma homenagem que, direta ou indiretamente, dialoga com a figura presidencial. Como ocorre tradicionalmente com o Carnaval, parte significativa dos recursos que viabilizam os desfiles passa por verbas públicas, seja por meio de patrocínios estatais ou incentivos culturais.
E é justamente aí que a oposição encontra combustível para críticas. Para adversários, há uma linha tênue entre valorização cultural e promoção política em ambiente financiado com dinheiro público. Já os defensores do governo afirmam que o Carnaval é espaço legítimo de manifestação artística e que homenagens a figuras públicas fazem parte da tradição das escolas de samba.
Enquanto isso, Lula segue sorrindo ao som da bateria. Se foi ou não o início simbólico da campanha, o fato é que a imagem de popularidade, cercada de festa e multidão, já começou a circular com força. No compasso do samba e no ritmo da política, a corrida de 2026 parece ter encontrado seu primeiro desfile. Ressaltando que foram 79 minutos de exposição nacional, pois o desfile era televisionado.
Blog do Didi Galvão

