A Missa do Vaqueiro, tradicional celebração religiosa e cultural do sertão pernambucano, enfrenta um momento de tensão e disputa em Serrita. A iniciativa do prefeito Aleudo Benedito de transformar o evento em uma mega festa, denominada “Festa do Jacó”, tem gerado críticas e preocupações sobre a preservação da essência e do significado original da celebração.
A proposta de renomear e ampliar o evento, incorporando grandes shows e atrações, foi acompanhada de gastos significativos por parte da prefeitura, que ultrapassaram R$ 3,7 milhões em 2023, mesmo diante de recomendações do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para contenção de despesas. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) identificou irregularidades nas contratações e aplicou multas ao prefeito e outros envolvidos.
A tentativa de institucionalizar a “Festa do Jacó” como substituta da Missa do Vaqueiro foi aprovada pela Câmara de Vereadores, mas enfrentou resistência do MPPE, que apontou a violação de patrimônio cultural protegido por legislação estadual e irregularidades no processo legislativo.
A Fundação Padre João Câncio, responsável histórica pela organização da Missa do Vaqueiro, expressou preocupação com a descaracterização do evento e a exclusão de sua participação. A viúva do idealizador da missa, Helena Câncio, destacou a importância de manter a tradição e a memória do evento, que surgiu como homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó, assassinado em 1954.
Neste ano, a cidade de Serrita terá duas edições da Missa do Vaqueiro: uma promovida pela prefeitura, com grandes atrações e estrutura de megaevento, e outra organizada pela Fundação, focada na celebração religiosa e na preservação das tradições. Essa divisão evidencia a necessidade de diálogo e conciliação entre as partes envolvidas para garantir a continuidade e o respeito à história e à cultura sertaneja.
É fundamental que as autoridades e a comunidade local encontrem um equilíbrio entre a valorização cultural e o desenvolvimento econômico, assegurando que a Missa do Vaqueiro continue sendo um símbolo de fé, resistência e identidade do povo sertanejo.