Por meio de nota em 12 de fevereiro, Toffoli admitiu sociedade na Maridt, mas negou relação pessoal com Vorcaro ou recebimento de valores do dono do Master
Materia do Portal O Tempo
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, usou um fundo de investimentos que movimentou R$ 35 milhões para comprar a parte do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort Tayayá, no Paraná. A informação é do jornal “Estado de S. Paulo”.
A participação societária estava registrada em nome da Maridt Participações S.A., empresa de Toffoli e dos irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio.
A reportagem citou que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos, também alvo da Polícia Federal (PF). Já o Leal é apontado como o único cotista do fundo Arleen, usado para adquirir a parte da família Toffoli no resort.
O Arleen virou sócio oculto das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, gestora e incorporadora dos terrenos do Tayayá, em 27 de setembro de 2021.
Extratos mostram que repasses foram divididos. De acordo com o jornal, Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e de R$ 5 milhões no fundo Leal em 28 de outubro de 2021 e 3 de novembro do mesmo ano. Além disso, nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.
Segundo o “Estadão”, Vorcaro enviou mensagens a Zettel em maio de 2024 e perguntou sobre a situação dos repasses ao resort. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, questionou, e Zettel respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
Em seguida, Zettel enviou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Uma das linhas tinha a indicação “Tayaya – 15″, entendida pela PF como o repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro, então, respondeu: “Paga tudo hoje”.
Em agosto de 2024, o dono do Master voltou ao cunhado e perguntou se “aquele negócio do Tayayá não foi feito?”. Zettel disse que já tinha repassado o valor para um intermediário efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.
Ainda de acordo com o diálogo relatado pelo jornal, Vorcaro se irritou e perguntou a Zettel: “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, que respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.
Zettel, então, relatou a Vorcaro os aportes feitos no Tayayá. “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. O aporte de R$ 15 milhões foi feito em 8 de julho de 2024 no fundo Leal, mas o Arleen só recebeu R$ 14.521.851,17 em 10 de fevereiro de 2025.
Em 21 de fevereiro de 2025, a Maridt vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding. A empresa é do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.
Procurado pela reportagem, Toffoli e a defesa de Vorcaro não se manifestaram, e os advogados de Zettel não responderam às perguntas.
Em 12 de fevereiro, Toffoli admitiu ser sócio da Maridt, mas disse que a empresa é administrada por familiares. O ministro informou que a companhia foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025, com venda declarada à Receita Federal e feita dentro do valor de mercado.
Toffoli também declarou que virou relator do caso Master no STF em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya. O ministro também disse desconhecer o gestor do Fundo Arllen e frisou que jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com Vorcaro.
“Por fim, o ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, destacou Toffoli na nota.
Blog do Didi Galvão

