Derrota na política é consequência da falta de habilidade somada ao individualismo

João Campos (PSB) só aparece como potencial adversário de Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo Governo de Pernambuco, porque faltou habilidade política da própria governadora que afastou os aliados que construíram sua vitória no segundo turno em 2022. Após o primeiro turno Raquel ganhou de bandeja os apoios de Anderson Ferreira e Miguel Coelho, juntos somaram 1.775.161 votos, a diferença de Raquel para Marília no segundo turno foi de 923.151 votos e Raquel ainda contou com apoio de pessebistas e petistas que se recusaram a apoiar Marília e optaram por Raquel.

Quando buscamos acontecimentos da história política de Pernambuco, encontramos resultados que em tese dão sustentação à ideia aqui apresentada. Em 1990, Jarbas perdeu para Joaquim Francisco por conta do péssimo governo de Miguel Arraes. Joaquim Francisco renunciou à prefeitura do Recife e venceu a eleição. Arraes volta a ser eleito governador em 1994, seu principal cabo eleitoral foi o governador Joaquim Francisco, mesmo sendo adversário. Miguel Arraes tenta a reeleição em 1998, mas devido à ausência de habilidade política, perdeu para Jarbas Vasconcelos.

Jarbas faz um governo valorizando aliados e agregando lideranças políticas, chega em 2002 e disputa a reeleição, conseguindo êxito e se tornando expressiva liderança estadual e nacional. Em 2006, Jarbas foi eleito Senador para o primeiro mandato. Seu vice não teve habilidade política e, mesmo chegando ao segundo turno graças à força do governo, Jarbas é derrotado por Eduardo Campos. Eduardo foi habilidoso para o primeiro turno quando reuniu lideranças do Sertão à Capital, chegou no segundo turno e, com sabedoria e humildade, construiu uma ampla aliança e foi direto para a vitória.

Eduardo foi excepcional no comando do Governo de Pernambuco, colocou cada peça em seu devido lugar e fez a máquina moer com muita maestria. Sua habilidade e respeito aos aliados foram tão grandes, que ele chegou em 2010 para disputar a reeleição e quase não tinha adversário. Eduardo lembrou de 2006 e convocou os aliados Armando Monteiro e Humberto Costa para o senado, foi gigante na vitória de Dilma para a presidência e garantiu a Fernando Bezerra Coelho a vaga de ministro da Integração Nacional. Eduardo Campos já dizia: “Confiança é como uma pedra de diamante, quebrou, não tem mais jeito”.

João Campos ainda é novo e tem todo um futuro pela frente, claro que ele não vai arriscar entrar num jogo que pode lhe causar fraturas expostas. João só se coloca como adversário de Raquel, porque a própria governadora não tapou as brechas. Com um pouquinho de habilidade, Raquel teria ao seu lado a Federação PP/UB, PL e, se brincar, ainda o PT. Lembra o que Eduardo fez em 2014 para garantir a vitória de Paulo Câmara? Na política, vencem os habilidosos, o que faltou em Raquel. Agora é tentar juntar os pedaços da confiança perdida, na política nem tudo está perdido.

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